PROJETO COPA-2014: DESVAIRIO OU REALIDADE? (publicado no site do Vô Coxa em 13/04)
PROJETO COPA-2014: DESVAIRIO OU REALIDADE? - Acendam velas, matem galinhas pretas, façam oferendas ao Exu-Caveira. Rezem muito, turma da Baixada. Se o projeto Tarumã-2014 se concretizar, a parte ruborizada da cidade terá que se preparar para sofrer gozações pelo resto de suas vidas. Fora o risco de ficar com a meia-água incompleta...
Na última semana surgiu uma notícia que, inicialmente, começou como um boato desvairado mas que, com o passar dos dias, vem ganhando contornos dramáticos para uma peleja que parecia decidida a favor da turma de Baixo. A chamada “onda 2014”, tão cantada em verso e prosa pela turma do “el Mejor Estádio del Mundo”, atingiu definitivamente autoridades e clubes de todo o Paraná. E, para surpresa da turma da empáfia e da arrogância, todas as entidades do Estado vem se unindo para apoiar o projeto Tarumã-2014. Confesso que fui apanhado de surpresa pela notícia. Não acreditei, a princípio, pois achei que fosse mais uma das “pegadinhas do Moura”. Mas, ao ver o secretário Ricardo Gomyde e o governador do Estado se comprometendo com o projeto da Copa-2014 e, principalmente, ofertando o terreno do finado Pinheirão como alternativa para o novo estádio, comecei a ver com outros olhos a situação. É certo que GG é o maior picareta que já passou pela presidência do Coritiba em toda a história do Clube. A queda para a Segunda Divisão e as picaretagens que aprontou no Governo são elementos que pesam na hora de fazermos qualquer analise mais apurada sobre propostas e idéias que venham dessa figura. Mas o projeto Tarumã-2014, por mais surreal e irrealista que seja no momento, foi uma sacada interessante dessa figura execrável. Pasmem.
Há algum tempo debato com os meus amigos coxas-brancas que o Coritiba tem a necessidade de se adequar à realidade do futebol mundial. O tempo romântico do futebol, aquele das grandes casas de futebol, com 70, 80, 90 mil pessoas apinhadas nas gerais dos estádios, acabou. O modelo de gestão europeu, baseado nos multieventos e na utilização dos espaços dos estádios como centros comerciais e culturais, vem se mostrando a alternativa viável para a sobrevivência dos velhos clubes de futebol. Em resumo, o futebol se tornou um grande negócio. E, para se sobreviver nesse mercado, é preciso ter ousadia. Ousadia para buscar novas oportunidades, disputar nichos de mercado e estabelecer novos paradigmas. Nesse sentindo, a Copa-2014 é a grande oportunidade dos clubes brasileiros se ajustarem definitivamente ao novo ciclo econômico do futebol. Bilhões de dólares (foram investidos cerca de US$ 6 bi para a construção de estádios e estruturas de suporte na Copa-2006) irão inundar a economia brasileira e, por conseqüência, caixas de governos locais e clubes. E, para um clube quase centenário como o Coritiba, surge a oportunidade de se buscar um projeto capaz de sediar o evento mais importante do esporte mundial e que seja perene pelos anos vindouros da competição.
O Couto Pereira faz parte de nossas mais doces lembranças e da nossa história. Foi nele que o Coritiba forjou a sua fama de “Glorioso”, conquistando quase todas as suas conquistas mais importantes. Porém, para a realidade de hoje, o Monumental está ultrapassado. Por mais que façamos uma grande reforma, o Couto não teria condições de abrigar a Copa, pois faltaria, segundo os encargos da FIFA, uma área de dispersão de público em suas saídas (teríamos que demolir todos os prédios em volta da Rua Mauá e da Amâncio Moro para atendermos as exigências), bem como uma área de estacionamento adequada para carros e ônibus. Mas, pasmem vocês, se não houvesse a oportunidade da construção de um novo estádio em Curitiba, o estádio com melhores condições de receber a Copa em nossa cidade seria o nosso Monumental. Por mais que a turma lá de baixo fale que “el Mejor” tem cadeirinhas em todos os setores, cheiro de shopping-center, divisão de acrílico entre as torcidas, pombal do Coronel e outras perfumarias, há um “pequeno” elemento que inviabiliza por completo o projeto “El Mejor-2014”. O estádio da Água Verde segue a orientação Leste-Oeste (a exemplo da Fazendinha, vulgo Parque São Jorge, em São Paulo), contrariando os padrões FIFA, que exigem orientação de campo Norte-Sul. Em resumo: a Casa China Arena teria que ter as suas sociais da Getúlio Vargas demolidas para se adequar ao padrão FIFA. Pior: as novas arquibancadas seriam construídas muito próximas ou dentro da via de circulação da Getúlio Vargas e em terrenos hoje ocupados por prédios residenciais. Ou seja, altos custos de desapropriações e processos judiciais. Não bastasse, há o mesmo problema do nosso Majestoso, ou seja, falta de áreas adequadas para vazão de torcedores e estacionamento adequado. O megalomaníaco projeto de construir um estacionamento na Praça Afonso Botelho é uma piada de mau gosto e que atenta a comunidade residente no Água Verde. Em resumo, a mentira que o Coronel não conta aos seus torcedores é que a Casa China Arena terá que ser inteiramente reconstruída para abrigar a Copa do Mundo. Simples assim.
Analisando assim, começa-se a ver que o projeto Tarumã-2014 iria implicar em menos custos e menor exercício de destruição urbana que todos os outros projetos que possam a vir ser apresentados. Elementos que contam a favor desse projeto: um grande terreno, em uma região bem servida de transportes na cidade (vale lembrar que até 2008 estará pronta ou em fase de finalização a Linha Verde, a nova BR-116, com 11 pistas; e, até 2014, já existirão linhas de metrô ou projetos para atender àquela região) e próximo à Região Metropolitana, local onde estará residindo a maioria da população de nossa cidade e região nos próximos 10 anos; Elementos desfavoráveis: a dívida da FPF com os Governos, da ordem de 15 milhões de reais; alguns atores envolvidos no comando inicial do projeto (Severiano ao contrário, GG); a resistência da torcida do Coritiba em sair do Alto da Glória e, para finalizar, a incerteza do financiamento do elefante branco. Até agora não se tem notícias de quem seria o grupo financiador do empreendimento. Só boatos. Fora que só existem esboços do projeto do novo estádio. Já se chegou a comentar até que haveria uma revisão do projeto inicial de conclusão do antigo Pinheirão. Enfim, incerteza geral.
Agora, cabe aqui uma análise quanto ao comportamento atual da diretoria do time do Coronel: a mesma mão hoje que agride RPC, FPF e Governo do Estado do Paraná, acusando-os de “autofagia” e “inveja”, foi a mesma que pediu ajuda para a TV Globo nos projetos de marketing “dos Paranaenses”, cápsula do tempo e outros factóides; a mesma que recebeu ajuda do senhor Ivens Mendes no esquema de compra de árbitros em 1996, do senhor Oscar Roberto de Godói na final de 2000, do senhor Mafra na final de 2004 e dos amigos de preto que deram 18 (?) pênaltis durante todo o Campeonato Brasileiro de 2004; a mesma que recebeu o “alvi-verde” governador Jaime Lerner para inaugurar a Meia-Água em 1998, Meia-Água essa construída sob financiamento suspeito para um clube que, há 5 anos antes, não tinha dinheiro sequer para comprar uniformes de treino para a sua equipe. Resumindo: será que cabe ao filho ingrato reclamar de “autofagia” ao cuspir no prato que comeu?
Finalizando, gostaria de colocar que a casa do Coritiba jamais deixará de ser o Alto da Glória, tendo estádio novo ou não. Foi no Monumental que construímos nossa história, nossa identidade e nossa paixão pelo Glorioso. Se a nova casa deixar de ser um devaneio dos mandatários e se firmar como uma realidade, que seja bem-recebida pela massa alviverde e que seja à altura das glórias e da história do Coritiba. Que possa ser o ponto de partida para o renascimento da instituição Coritiba Foot Ball Club. Mas, antes de devaneios e sonhos, há uma necessidade preemente para o nosso clube: o acesso à Primeira Divisão. Sem o Coritiba na elite, não há razões para quaisquer outras perspectivas de crescimento a médio e a longo prazo. A Primeira Divisão e o título paranaense são obrigações históricas que devem ser realizadas esse ano, para que possamos voltar a ter orgulho de nossa história e de nosso clube, não só de seu passado, mas como de seu presente e do seu futuro.
DÁ-LHE COXA!
Na última semana surgiu uma notícia que, inicialmente, começou como um boato desvairado mas que, com o passar dos dias, vem ganhando contornos dramáticos para uma peleja que parecia decidida a favor da turma de Baixo. A chamada “onda 2014”, tão cantada em verso e prosa pela turma do “el Mejor Estádio del Mundo”, atingiu definitivamente autoridades e clubes de todo o Paraná. E, para surpresa da turma da empáfia e da arrogância, todas as entidades do Estado vem se unindo para apoiar o projeto Tarumã-2014. Confesso que fui apanhado de surpresa pela notícia. Não acreditei, a princípio, pois achei que fosse mais uma das “pegadinhas do Moura”. Mas, ao ver o secretário Ricardo Gomyde e o governador do Estado se comprometendo com o projeto da Copa-2014 e, principalmente, ofertando o terreno do finado Pinheirão como alternativa para o novo estádio, comecei a ver com outros olhos a situação. É certo que GG é o maior picareta que já passou pela presidência do Coritiba em toda a história do Clube. A queda para a Segunda Divisão e as picaretagens que aprontou no Governo são elementos que pesam na hora de fazermos qualquer analise mais apurada sobre propostas e idéias que venham dessa figura. Mas o projeto Tarumã-2014, por mais surreal e irrealista que seja no momento, foi uma sacada interessante dessa figura execrável. Pasmem.
Há algum tempo debato com os meus amigos coxas-brancas que o Coritiba tem a necessidade de se adequar à realidade do futebol mundial. O tempo romântico do futebol, aquele das grandes casas de futebol, com 70, 80, 90 mil pessoas apinhadas nas gerais dos estádios, acabou. O modelo de gestão europeu, baseado nos multieventos e na utilização dos espaços dos estádios como centros comerciais e culturais, vem se mostrando a alternativa viável para a sobrevivência dos velhos clubes de futebol. Em resumo, o futebol se tornou um grande negócio. E, para se sobreviver nesse mercado, é preciso ter ousadia. Ousadia para buscar novas oportunidades, disputar nichos de mercado e estabelecer novos paradigmas. Nesse sentindo, a Copa-2014 é a grande oportunidade dos clubes brasileiros se ajustarem definitivamente ao novo ciclo econômico do futebol. Bilhões de dólares (foram investidos cerca de US$ 6 bi para a construção de estádios e estruturas de suporte na Copa-2006) irão inundar a economia brasileira e, por conseqüência, caixas de governos locais e clubes. E, para um clube quase centenário como o Coritiba, surge a oportunidade de se buscar um projeto capaz de sediar o evento mais importante do esporte mundial e que seja perene pelos anos vindouros da competição.
O Couto Pereira faz parte de nossas mais doces lembranças e da nossa história. Foi nele que o Coritiba forjou a sua fama de “Glorioso”, conquistando quase todas as suas conquistas mais importantes. Porém, para a realidade de hoje, o Monumental está ultrapassado. Por mais que façamos uma grande reforma, o Couto não teria condições de abrigar a Copa, pois faltaria, segundo os encargos da FIFA, uma área de dispersão de público em suas saídas (teríamos que demolir todos os prédios em volta da Rua Mauá e da Amâncio Moro para atendermos as exigências), bem como uma área de estacionamento adequada para carros e ônibus. Mas, pasmem vocês, se não houvesse a oportunidade da construção de um novo estádio em Curitiba, o estádio com melhores condições de receber a Copa em nossa cidade seria o nosso Monumental. Por mais que a turma lá de baixo fale que “el Mejor” tem cadeirinhas em todos os setores, cheiro de shopping-center, divisão de acrílico entre as torcidas, pombal do Coronel e outras perfumarias, há um “pequeno” elemento que inviabiliza por completo o projeto “El Mejor-2014”. O estádio da Água Verde segue a orientação Leste-Oeste (a exemplo da Fazendinha, vulgo Parque São Jorge, em São Paulo), contrariando os padrões FIFA, que exigem orientação de campo Norte-Sul. Em resumo: a Casa China Arena teria que ter as suas sociais da Getúlio Vargas demolidas para se adequar ao padrão FIFA. Pior: as novas arquibancadas seriam construídas muito próximas ou dentro da via de circulação da Getúlio Vargas e em terrenos hoje ocupados por prédios residenciais. Ou seja, altos custos de desapropriações e processos judiciais. Não bastasse, há o mesmo problema do nosso Majestoso, ou seja, falta de áreas adequadas para vazão de torcedores e estacionamento adequado. O megalomaníaco projeto de construir um estacionamento na Praça Afonso Botelho é uma piada de mau gosto e que atenta a comunidade residente no Água Verde. Em resumo, a mentira que o Coronel não conta aos seus torcedores é que a Casa China Arena terá que ser inteiramente reconstruída para abrigar a Copa do Mundo. Simples assim.
Analisando assim, começa-se a ver que o projeto Tarumã-2014 iria implicar em menos custos e menor exercício de destruição urbana que todos os outros projetos que possam a vir ser apresentados. Elementos que contam a favor desse projeto: um grande terreno, em uma região bem servida de transportes na cidade (vale lembrar que até 2008 estará pronta ou em fase de finalização a Linha Verde, a nova BR-116, com 11 pistas; e, até 2014, já existirão linhas de metrô ou projetos para atender àquela região) e próximo à Região Metropolitana, local onde estará residindo a maioria da população de nossa cidade e região nos próximos 10 anos; Elementos desfavoráveis: a dívida da FPF com os Governos, da ordem de 15 milhões de reais; alguns atores envolvidos no comando inicial do projeto (Severiano ao contrário, GG); a resistência da torcida do Coritiba em sair do Alto da Glória e, para finalizar, a incerteza do financiamento do elefante branco. Até agora não se tem notícias de quem seria o grupo financiador do empreendimento. Só boatos. Fora que só existem esboços do projeto do novo estádio. Já se chegou a comentar até que haveria uma revisão do projeto inicial de conclusão do antigo Pinheirão. Enfim, incerteza geral.
Agora, cabe aqui uma análise quanto ao comportamento atual da diretoria do time do Coronel: a mesma mão hoje que agride RPC, FPF e Governo do Estado do Paraná, acusando-os de “autofagia” e “inveja”, foi a mesma que pediu ajuda para a TV Globo nos projetos de marketing “dos Paranaenses”, cápsula do tempo e outros factóides; a mesma que recebeu ajuda do senhor Ivens Mendes no esquema de compra de árbitros em 1996, do senhor Oscar Roberto de Godói na final de 2000, do senhor Mafra na final de 2004 e dos amigos de preto que deram 18 (?) pênaltis durante todo o Campeonato Brasileiro de 2004; a mesma que recebeu o “alvi-verde” governador Jaime Lerner para inaugurar a Meia-Água em 1998, Meia-Água essa construída sob financiamento suspeito para um clube que, há 5 anos antes, não tinha dinheiro sequer para comprar uniformes de treino para a sua equipe. Resumindo: será que cabe ao filho ingrato reclamar de “autofagia” ao cuspir no prato que comeu?
Finalizando, gostaria de colocar que a casa do Coritiba jamais deixará de ser o Alto da Glória, tendo estádio novo ou não. Foi no Monumental que construímos nossa história, nossa identidade e nossa paixão pelo Glorioso. Se a nova casa deixar de ser um devaneio dos mandatários e se firmar como uma realidade, que seja bem-recebida pela massa alviverde e que seja à altura das glórias e da história do Coritiba. Que possa ser o ponto de partida para o renascimento da instituição Coritiba Foot Ball Club. Mas, antes de devaneios e sonhos, há uma necessidade preemente para o nosso clube: o acesso à Primeira Divisão. Sem o Coritiba na elite, não há razões para quaisquer outras perspectivas de crescimento a médio e a longo prazo. A Primeira Divisão e o título paranaense são obrigações históricas que devem ser realizadas esse ano, para que possamos voltar a ter orgulho de nossa história e de nosso clube, não só de seu passado, mas como de seu presente e do seu futuro.
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Marcadores: Copa 2014, Coritiba, Couto Pereira, Kyocera Arena, Pinheirão, Tarumã

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