Blog do René Santos Neto
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Médico, de centro-esquerda, coxa-branca, palestrino e ferrarista.
sexta-feira, dezembro 05, 2008
domingo, agosto 17, 2008
House: o anti-herói da Medicina
O que o House faria? Depois que o a série de TV blockbuster “House M.D.” estreou, em 2004, essa se tornou uma pergunta corriqueira em discussões clínicas de diversos hospitais pelo mundo afora. O paradoxal médico, viciado em codeína, se tornou em um hit no meio médico. Um pouco por conta de suas condutas nada ortodoxas, um pouco por sua personalidade única e muito por sua genialidade. Mas House, como médico, só poderia existir nos EUA, em um sistema baseado na alta tecnologia e na pujança de recursos. Caso ele cruzasse a fronteira para o Canadá, ele seria execrado por ser um médico que não cultiva a relação médico-paciente, por gastar milhares de dólares em exames inúteis e por destroçar relações em equipes médicas e multiprofissionais. Por todo esse paradoxo que envolve sua conduta médica e pessoal, House é atraente. E atrai porque House expressa na essência o adágio maquiavélico “Os fins justificam os meios”: independente dos riscos e das dificuldades que House pode criar ao paciente na busca pelo diagnóstico, o que vale é que ele consiga chegar à conclusão de seu raciocínio clínico e, por conseqüência, no seu tratamento mais eficaz.
As velhas séries médicas estadunidenses, notadamente Dr. Kildare (estrelada por Richard Chamberlain), eram seriados que exploravam a figura benevolente e paterna do médico, como um modelo de pessoa e de conduta pessoal, que representava a velha dicotomia “mocinho-bandido”: o médico deveria ser um mocinho em todos os aspectos, desde como se portar perante à sociedade bem como em sua conduta médica, não ultrapassando limites éticos e seguindo os preceitos hipocráticos. Outras séries médicas mais modernas, como “E.R.”, já começaram a mostrar uma figura mais humanizada e frágil do médico, como alguém que também sofre e tem seus conflitos internos. Mas House foi além: o personagem central é a expressão do anti-herói, do gauche, ou seja, alguém que foge dos padrões de correção e postura de nossa sociedade. E por ser torto na vida é que House impressiona. Porque mesmo convivendo com uma dor lancinante em sua coxa esquerda (compensada parcialmente com muito Vicodin), com uma rabugice que deixa aqueles que trabalham com ele próximos das raias da insanidade e com uma personalidade pétrea, quase que megalomâna, House acaba por atingir seus desfechos. Sua capacidade de dedução e intuição quase sherloquianas (os produtores de House se inspiraram na criação do torto médico no famoso detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle, que também era médico) são os pilares que tornam a série tão cativante para seus fãs.
Mas comentemos da face médica de House. O que House representa é aquilo que temos vontade em certos momentos de nossa conduta médica: de mandar tudo às favas e bater de frente com os pacientes e com nossos chefes para chegarmos ao nosso objetivo. É mais ou menos como se quiséssemos despertar o Maquiavel que existe dentro de nós. Quem, ao assistir House, nunca teve vontade de fazer como ele, fugir do plantão estressante cheio de IVAS e GECAs para ir buscar o diagnóstico daquele caso difícil que está na enfermaria? Quem nunca teve vontade de “invadir” a casa dos pacientes para buscar elementos para sustentar a história clínica do paciente? Ah, e quem nunca teve vontade de pedir “MRIs” (RNM) à vontade como o paradoxal médico estadunidense? No final das contas, House é um pouquinho daquilo que queremos ser. De não ter limitações e medos para buscar os nossos objetivos.
Na vida real não podemos e não devemos ser como House. Mas temos que ter um pouco de House dentro de nós. Medicina, além de arte, é feita de inspiração e intuição. E House, por mais hi-tech que seja, é o amálgama entre a tecnologia e a arte médica. É a união entre a tecnologia de ponta e a intuição médica, que jamais será suplantada pela máquina. Afinal, de nada adianta termos o exame mais sofisticado, a imagem mais detalhada, se não houver um profissional capaz de interpretar e correlacionar as informações geradas eletronicamente em seus dados clínicos. Não devemos temer a tecnologia: devemos sim é adaptar ela à nossa realidade médica para aprimorarmos a arte, a nossa arte, a Arte da Medicina.
Marcadores: Dr Kildare, E.R., House M.D., Medicina, seriados
quinta-feira, março 06, 2008
Eleições estadounidenses: breve reflexão
Como todos devem estar se perguntando, o que está surpreendendo é a atuação do Senador Barack Obama. Negro, havaiano, filho de mulçumano, Obama tinha tudo para dar errado. Ele representa toda a anti-política tradicional americana, ou seja, a velha política de predominância branca, religiosa cristã e baseada em princípios anglo-saxões está em xeque. Mas Obama, a despeito de tudo e todos, surpreendeu e vem surpreendendo. Mesmo que não vença a indicação do Partido Democrata, já terá feito história. Vir das bases de Chicago para em 15 anos ser um pop-star não é para qualquer um. Um fenômeno desses deve ser analisado com muito, muito cuidado. Quero ainda discorrer muito sobre isso.
Já Hillary é mais do mesmo. Gosto muito do tio Bill e sua Terceira Via, afinal ele é amigo do FHC e tem linhas bem próximas do PSDB. Mas a indicação de Hillary daria tons portenhos à eleição americana. Já basta a fraca Cristina Kirchner no poder argentino. Mais uma Evita Péron no poder não nos acrescentará nada e, pior, atrasará por 4 anos a mudança de paradigma político mundial. Não caio na falácia da "primeira mulher presidente". A única coisa boa da candidatura Hillary é o SUS americano, a universalização do sistema de saúde americano para todas as pessoas. Um tiro de morte nos planos de saúde, já alvejados pelo bombástico "Sicko", o novo documentário de Michael Moore. Mas é muito pouco. A política precisa de mudanças mais drásticas.
Já o partido da guerra, digo, Republicano, já escolheu o seu candidato: McCain. Fez uma escolha coerente. Entre um mórmon ladrão, um pastor maluco e o herói de guerra, fez a escolha óbvia. McCain é o único que tem condições de convencer os americanos a continuarem enterrados no buraco iraquiano. War Bush já se apressou e declarou apoio ao herói do Vietnã. Creio que os Republicanos estão em vantagem no momento: a indecisão democrata e a grana que eles detém serão fatores que pesarão nesses primeiros meses de campanha e podem criar uma vantagem decisiva. Não bastasse, Hillary e Obama estão fazendo questão de queimar um ao outro e facilitar o caminho republicano. Se fosse para apostar hoje, apostaria em uma vitória republicana.
Por hoje é isso. Vamos continuar observando.
Marcadores: Barack Obama, eleições americanas, Hillary Clinton, John McCain
quarta-feira, outubro 24, 2007
Notícias dos jornais esportivos em 2008
Maio/2008
Timão estreia com otimismo na série B.
Derrota em casa na estréia não desanima, diz Nelsinho
Empate heróico com CRAC-GO em Catalão motiva jogadores
Corinthians perde para o Grêmio Barueri no Pacaembu
Junho/2008
Contra o ABC é tudo ou nada
Nelsinho cai após derrota em Natal
Felipe reclama dos companheiros
Betão pede respeito com a camisa do Timão
Timão é goleado por 6x0 em Jundiaí. Paulista jogou com 9
Agosto/2008
Candinho assume no Parque São Jorge
América-RN quer aproveitar o mau momento do Timão
Após derrota, Corinthians é lanterna
Corinthians vence a primeira em Caxias do Sul
Gustavo Nery afirma que agora vai
Everton Santos ansioso para o clássico de terça à noite contra o São Caetano
Setembro/2008
Com ajuda do árbitro Wilson de Souza de Mendonça, Timão vence o Marília
Brasiliense complica e Corinthians perde mais uma
Candinho ameaçado. Andres Sanches promete Felipão
Candinho pede demissão e assume Luis Carlos Ferreira
Moradei será o capitão contra o Gama
Zelão faz contra e é dispensado do elenco após nova derrota
Luis Carlos Ferreira deixa o Corinthians
Corinthians teria sondado Luxemburgo
Outubro/2008
Zé Augusto assume como técnico interino
Vampeta tem moral com a torcida, diz Zé Augusto
Corinthians vence de virada e dá show em Salvador
Andres Sanches diz: Zé Augusto é o melhor técnico do Brasil
Com gol no finalzinho, Atlético-GO bate Timão
Zé Augusto cai e Timão fica sem técnico
Corinthians faz propósta oficial a Oswaldo de Oliveira
Oswaldo prefere ficar no América-RJ
Oswaldo justifica: Não posso regredir
Novembro/2008
Ricardo Teixeira fala em Série A com 80 clubes em 2009
Corinthians perde no ABC e torcida intercepta ônibus do time
Tiãozinho (técnico do Bragantino) fala em poupar jogadores contra o Timão
Andres Sanches critica Dunga por não convocar Finazzi
Marinho garante: Não seremos rebaixados
Finazzi volta a ser titular contra o Santa Cruz.
Santa faz 4 a 0 e está próximo à liderança
Paraná vence o Corinthians na Fazendinha por 4 a 1
Dezembro/2008
Ninguém sabe onde está Andres Sanches
Corinthians pára as atividades por falta de água no Parque São Jorge
PCC faz rebelião nos presídios após rebaixamento
Vampeta pede calma à torcida
CSA, ASA de Arapiraca, River-PI e ADAP/Galo sobem para a Série B. Corinthians cai para a Série C
Armarinhos Fernando será patrocinador da nova camisa do Timão
Andres Sanches anuncia Marcelinho Carioca como técnico para 2009
Marcadores: 2008, Corinthians, Notícias, Série B
domingo, outubro 21, 2007
Ferrari, Ferrari, Ferrari!!!

Kimi, no final das contas, mereceu a conquista. Pode não ter sido brilhante durante a temporada (acredito que Massa foi mais rápido, mas mais azarado), mas foi eficiente nos momentos cruciais. Soube crescer no momento certo, na reta final, e principalmente, soube aproveitar a disputa fraticida entre Hamilton (que, com as cagadas de hoje e da China, provou ser um piloto da estirpe de Ivan Capelli, Rubens Barrichello, Michele Alboreto, Riccardo Patrese, Chris Amon e tantos outros que se notabilizaram como PERDEDORES) e Alonso (o Prost do terceiro milênio. Apesar que, depois dessa confusão toda, eu já acho que ele tenha algo de Piquet na personalidade). A inexperiência de Hamilton (que se revelou no momento mais agudo da disputa) e o erro de Alonso no Japão (conseguiu rodar na reta durante a chuva de Fuji, lembrando o erro de Prost em Estoril-1985) foram decisivos para que Kimi reduzisse a diferença e conquistasse o título.
Destaco aqui o papel de Massa. Massa, esse ano, parece ter se contaminado com o azar que perseguiu o seu companheiro durante a carreira. Furou sinal vermelho, esqueceram de colocar gasolina no tanque, montaram amortecedor errado... Em resumo: foi o azarado do ano. Mas hoje fez um corridaço e correu para a equipe. Vencer pela 2ª vez o GP Brasil não iria acrescentar nada ao currículo dele. A dívida de vencer em casa já foi paga ano passado. Precisava Massa era garantir que ano que vem ele continue com o equilíbrio que a Ferrari deu entre seus pilotos. Diga-se de passagem, parabéns a Scuderia. Mostrou que na era pós-Schumacher é possível sim ter dois pilotos rápidos e em iguais condições na disputa do campeonato. Méritos de Kimi e Massa, por serem competitivos e jogarem sempre com a equipe, independente das dificuldades. A união e o trabalho em conjunto foram fundamentais para que a Ferrari conseguisse impor a justiça divina na disputa. Pois o título de pilotos da McLaren seria como o Brasileirão de 2005 do Coringão: roubado, ganho no STJD e com dinheiro sujo da Máfia.
Tudo bem que a Ferrari foi uma zona esse ano, mas é isso que é belo na Scuderia. A Ferrari lembra o Palestra: as coisas são feitas com emoção, paixão, sem muita organização, até. Parece aquelas grandes mesas de italianos e descendentes com uma gritaria completa, os netos correndo pra todos os lados, a nona trazendo o macarrão derramando molho por todos os lados. Mas, no fim, todos celebram aquele domingo e vêem que, a despeito de todas as confusões, sempre a paixão e a união da famiglia se sobrepõem as picuinhas. E, por conta disso, é tão belo torcer para o Palestra e para a Ferrari. Me orgulho de ser ferrarista e palestrino por essas viradas. Por ver um Palestra que é capaz de fazer a galinhada chorar em 74. De ver a Ferrari de Gilles andando com o bico torto na chuva em 81. De sofrer com filas intermináveis de títulos. De voltar às conquistas de forma triunfal (com a era Parmalat e a era Schumacher). De ir ao inferno e ressurgir (a era Capelli de 1992 e a Série B de 2003). Isso é Ferrari. Isso é Palestra Itália. E por isso, com essa alma de descendente de italiano da pequena Fiera di Primiero que me orgulho de torcer por essas duas instituições que transpiram em suas conquistas e sofrimentos o verdadeiro sentido da palavra TORCER.
Avante Ferrari!!!!!
Marcadores: Felipe Massa, Ferrari, GP Brasil-2007, Kimi Raikkonen, Palmeiras
terça-feira, outubro 16, 2007
Tropa de Elite: genialidade no cinema e crítica social contundente
Fica a dica para que, quem tiver oportunidade, que veja Tropa de Elite. Sua visão de sociedade jamais será a mesma.
Marcadores: BOPE, cinema, drogas, favela, Michel Foucault, tráfico, Tropa de Elite, Wagner Moura
domingo, setembro 30, 2007
Finalmente, Formula-1 de verdade!!
Primeiro, pela demonstração de habilidade do virtual campeão Lewis Hamilton, que, apesar de todas as confusões, guiou como gênios da chuva como Senna e Schumacher para conquistar uma vitória fundamental para o seu 1º título (será que ele bate os 7 do Schummy?). Já Alonso mostrou mais uma vez que é o Prost do terceiro milênio: mau-caráter, picareta, chorão, vendido, negociador, cachorro e roda em plena reta pra depois acertar uma bordoada no muro, ao melhor estilo de seu mestre Sith francês em Portugal-1985. O sonho do tri acabou para o discípulo de francês narigudo.
Ainda houve mais: Vettel, o novo Schummy, arrasou com a cadeira elétrica da Toro Rosso (substituta da finada Minardi) e chegou a liderar o GP. Pena que acabou abalroando o canguru Webber na volta de Safety Car. Mas, como o guri só tem 19 anos, a gente perdoa... Mas os alemães podem ficar sossegados que o substituto para o Schummy já veio antes do que se esperava. O tal do Vettel consegue ser ainda melhor que o Schumacão no molhado. Não dou dois anos pra esse rapaz estar ganhando corridas e disputando títulos. Só falta amadurecer.
Corridas brilhantes dos finlandeses Kovalainen e Raikkonen. O primeiro, graças a uma excelente estratégia da Renault, conseguiu sustentar um brilhante segundo lugar. Já Raikkonen passou por cima das cagadas da "famiglia Ferrari" (conseguiram largar com pneu de seco no molhado... Tou achando que os mecânicos exageraram na dose de Corvo Duca di Salaparuta antes da corrida...), fez uma prova de recuperação e conseguiu um fantástico terceiro lugar, que o mantém respirando por aparelhos no campeonato de pilotos.
Mas o grande destaque vai para Felipe Massa e Robert Kubica. Há tempos corre a lenda urbana (com vídeos mostrando tal feito) de uma disputa antológica entre o meu xará, René Arnoux, a bordo de uma Renault, e o meu ídolo ferrarista Gilles Villeneuve, em Dijon-Prenois-1979. Os dois malucos ficaram quatro voltas freando dentro da curva, jogando carro um em cima do outro, ultrapassando por cima da zebra, tocando roda e tudo o que se possa imaginar. Pois, para minha felicidade (pois ainda não era nascido naquela época para testemunhar tal duelo), pude ver uma disputa a la Villeneuve-Arnoux e, pior, no molhado! Massa e Kubica começaram a disputar insanamente na última volta a sexta posição. Como René e Gilles, Felipe e Robert fizeram de tudo: tocaram roda, jogaram um e o outro para fora da pista, ultrapassaram por cima da zebra, enfim, fizeram o inferno. E, para fechar, Massa faz a ultrapassagem a la Playstation 2: usando a área de escape para acelerar e passar por cima da zebra. Antológica, fenomenal, fantástica, histórica: só vendo para crer.
Irei disponibilizar os dois vídeos: o de Dijon-Prenois-1979 e o de Fuji-2007. Afinal, a verdadeira Fórmula-1 deve e precisa ser mostrada a todos, para que permaneça viva sempre em nossas memórias. Parabéns ao Massa e ao Kubica, por não deixarem morrer o verdadeiro espírito do esporte de velocidade.
Fuji-2007
Dijon-Prenois-1979
Marcadores: duelo, Felipe Massa, Formula 1, Fuji, Gilles Villeneuve, Japão, René Arnoux, Robert Kubica
