Blog do René Santos Neto

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Médico, de centro-esquerda, coxa-branca, palestrino e ferrarista.

sábado, junho 02, 2007

Tragédia anunciada

Em um jogo em que o melhor jogador em campo do Coritiba foi Gustavo (!!!), o Glorioso joga bisonhamente e é humilhado taticamente por Jair Picerni, o Eterno Vice. 1x0 saiu muito barato para o futebolzinho demonstrado pelo "esquadrão" verde-e-branco. Se o grito de "Fora Macuglia" era uma necessidade, hoje torna-se obrigação para se evitar o pior: a queda para a Terceira Divisão.

O jogo hoje prenunciava-se como um divisor de águas: depois de 2 vitórias sem convencer e uma derrota bisonha, o jogo contra o vice-campeão paulista era a oportunidade que o Coritiba tinha para se afirmar entre os times que podem vir a ser candidatos à vaga na elite do futebol brasileiro. Caso o resultado fosse negativo, ficava a certeza de que o time nada irá fazer de produtivo em 2007 e que teremos que rezar muito para que tenhamos mais 4 ou 5 times piores que o Coritiba no certame para não corrermos risco do vexame completo, o rebaixamento para a Série C. Pois o resultado não poderia ser pior: 1x0 foi muito pouco para o futebolzinho que o Coritiba jogou hoje. Se Somália, o astro do São Caetano, estivesse em campo, teria sido uns 4 ou 5x0 frouxo.

Do jogo, pouco a comentar. Um time displicente, com diversos erros táticos (meias mal-posicionados, volantes sem função, muitas bolas rifadas, falta de jogadas ensaiadas, erros de finalização), e facilmente marcado por um Azulão que jogou em um 3-5-2 burocrático e que soube pressionar bem a arbitragem. Ganhou na bola e na malandragem. Não bastasse, atuações bisonhas de Keirrison, Anderson Gomes, Rodrigo Mancha e cia. Só Edson Bastos e Gustavo (!!!), o péssimo atacante que pelo menos demonstrou raça, se salvaram da desgraça. E, pra gerir toda a tragédia, o "burro de sorte" Guilherme Macuglia. Nem irei comentar muito desse ser acéfalo. A única coisa que peço é a demissão sumária desse ser desprovido de inteligência humana. Simples assim.

De perspectivas, poucas. Mesmo se o Asno for embora, não nutro mais esperanças de ascensão à Primeira Divisão. São Caetano, Vitória, Brasiliense, Criciúma e Ponte Preta contam com times muito mais organizados e com mais estrutura para subir. O Coritiba ia precisar de uma revolução no departamento de futebol e de muita sorte para competir de igual para igual contra esses adversários. Se o Coritiba não cair para a Terceira Divisão esse ano já será o lucro do lucro. O jeito é rezar para 2007 acabar logo, o Pangaré-Mor picar a mula (isso se ele não achar um jeito de ficar mais um pouco para terminar a "obra-prima" que ele está construindo, a destruição do Coritiba) e que pessoas que amem de verdade o Coritiba possam dar novos destinos ao Glorioso em 2008.

Saudações Alviverdes

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sexta-feira, junho 01, 2007

El Führer del Orinoco


Como diria Karl Marx, a História gosta de se repetir como farsa. E, no caso do ditador sul-americano Hugo Chavez (tecnicamente já é, pois já manipulou o seu Congresso e as suas eleições com urnas eletrônicas fraudadas), parece que as semelhanças com o maior dos ditadores, o Führer alemão Adolf Hitler, aumentam a cada dia.

Depois de suceder um golpe mal-fadado (como o Führer), ser preso (como o Führer) e se eleger democraticamente, Chavez começa a segunda fase da implantação de qualquer ditadura em um sistema democrático: manipula o Congresso através de concessões financeiras aos parlamentares, limita a ação dos canais democráticos (como o que ocorreu essa semana, ao fechar a principal rede de TV oposicionista, a RCTV), manipula o processo eleitoral (através da distribuição de benesses e favores aos eleitores, pressão para votação e na Justiça Eleitoral, métodos fraudulentos de votação e à prova de recontagens; enfraquecimento da oposição, fragmentando-a em diversas lideranças e dificultando a sua unidade) e agora começa a mostrar suas garras para os vizinhos (através do financiamento irregular de campanhas no Equador, Peru e Bolívia; ao dar sustentação e suporte financeiro-militar ao grupo paraterrorrista FARC; oposição ao principal país do continente, o Brasil, através de limitação das ações econômicas e "censuras" ao chefe-de-Estado brasileiro). Qualquer semelhança entre Hugo Chavez e Adolf Hitler é mera coincidência histórica.

O Congresso Brasileiro tomou a postura democrática correta ao emitir uma nota condenando o fechamento da RCTV. A liberdade de imprensa, ao contrário do que o presidente Molusco diz, é um assunto de interesse do Brasil e do Mundo. Qualquer atentado a esse direito deve ser condenado e reprimido fortemente. E, nesse sentido, o Congresso brasileiro agiu corretamente. Errou o ditador venezuelano ao não respeitar a postura democrática de nosso Congresso e nominá-lo de "papagaio de pirata dos EUA", como se fizéssemos de conta que ele não é o "ventríloquo" do ditador cubano Fidel Castro, do terrorista internacional Osama Bin Laden e do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. E errou novamente o presidente Lula ao ficar como um bobo e pau-mandado do ditador do Orinoco por não condenar veementemente a ação do déspota.

Para finalizar a questão, iremos disponibilizar alguns links de reportagens sobre o tema. Já pasou da hora do Brasil tomar providências contra esse déspota. Se fosse em outros tempos, a democracia já estaria restaurada na Venezuela. Mas, como estamos em tempos moluscais...

Lula: 'Chávez tem que cuidar da Venezuela'

Câmara e Senado rebatem críticas de Chávez

Chávez, o antiBolívar das Américas

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quinta-feira, maio 31, 2007

Para Refletir

"O povo não devia ter medo de seu governo. O governo é quem deve temer o seu povo."

V - Parafraseando Thomas Jefferson

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Cenas Antológicas - V de Vingança (V for Vendetta)



Taí um filme que merece ser homenageado diversas e diversas vezes nessa seção do Blog: V de Vingança. Outra obra-prima do irmãos Wachovski, estrelada por Natalie Portman e Hugo Weaving (ele mesmo, o genial Agente Smith de Matrix) no papel do terrorista V, que luta contra a tirania e um governo despótico em um futuro alternativo da Grã-Bretanha. Um filme com diversas reflexões políticas e sociais, que desperta uma intensa realidade diante dos problemas sociais, econômicos e políticos pelos quais estamos vivendo. Um filme atual e que, tenho certeza, irá conservar sua atualidade por vários e vários anos. Além do mais, há muitas e muitas frases no filme que expressam esse pensamento de liberdade. Um grande filme, que precisa ser melhor explorado com o passar dos anos.

A cena que iremos disponibilizar no Blog é o discurso televisionado de V à população da Inglaterra. Se observarmos bem, haverá elementos desse discurso que se encaixam perfeitamente em alguns governos que vemos por aí (EUA, Brasil, Venezuela)... Uma cena a ser apreciada e pensada. Divirtam-se!

PS: discurso em inglês. Se desejar a transcrição completa, há um link para o site da Wikipédia.

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Quando uma imagem diz mais que mil palavras



quarta-feira, maio 30, 2007

Cenas antológicas - O Todo-Poderoso (Bruce Almighty)



Ao terminar de escrever o post passado, lembrei-me de um filme que, apesar de ser uma comédia, mostra exatamente a mensagem que tentamos passar no outro texto: a questão de "milagre pessoal". A cena que colocamos é o diálogo entre Bruce (Jim Carrey) e Deus (Morgan Freeman) sobre a questão das responsabilidades de ser Deus. E aí "Deus" coloca que as pessoas são os seus próprios milagres, e que Deus é o caminho para que elas possam atingir essas graças pessoais. Uma cena bacana e surpreendente para um filme de comédia. Vale a reflexão (independente da visão religiosa pessoal de cada um) e a diversão da cena.

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Reflexões sobre navalhas, furacões e mensalões


Nas últimas semanas fomos testemunhas de diversas denúncias avassaladoras no campo público: empreiteiras que receberam somas vultosas por obras inexistentes; políticos favorecidos com mimos, presentes e contas pagas por empresários; nepotismo praticado em diversas esferas governamentais; tráfico de influências e interesses; emendas ao Orçamento fraudulentas e, por fim, promiscuidade de interesses entre público e privado. Se isso ocorresse vez ou outra, ficaríamos assustados e pediríamos providências urgentes e os envolvidos seriam julgados e condenados por seus crimes contra o Estado. Acontece que isso só ocorre em países de Primeiro Mundo... No Brasil, que tem em sua cultura enraizada a "filosofia do malandro", a impunidade é regra, não exceção. Devido a um sistema judiciário deficiente, atrasado e com diversos empecilhos, o Brasil está se especializando na impunidade de seus criminosos, ou seja, no "sucesso" da prática meliante.

Qualquer pessoa que conheça um pouco mais a fundo o sistema político nacional e como se dá a política do "toma-lá, dá-cá" sabe que Gautamas, vendas de sentenças e Marcos Valérios são figurinhas comuns nos corredores palacianos e nos atos políticos. Não porque todos os elementos que façam parte desse jogo sejam todos mal-intencionados e visem apenas o seu favorecimento pessoal; a questão é muito mais profunda e complexa e atinge principalmente a forma como o sistema político-governamental brasileiro está estabelecido. Há uma história de pelo menos 400 anos de burocracia estatal instalada em território nacional; associada a isso, há um sistema político "democrático" que acabou sendo distorcido por leis confusas em uma "aristocracia" que manipula o jogo eleitoral através de doações exorbitantes e joguetes democráticos com o objetivo de criar um engodo para o "curral", ou seja, os eleitores. A "aristocracia" em questão são os empresários e os donos do capital, que são a gênese das famosas "caixinhas de campanha", "caixas 2", "gautamas" e tantas outras malversações do dinheiro público a qual estamos ficando acostumados (!!!) a presenciar nos últimos tempos. Em resumo, as causas fundamentais da disseminação da corrupção na máquina estatal são a sua engenhosidade, o financiamento privado irrestrito das campanhas eleitorais, o voto proporcional, as reeleições eternas, os mecanismos antiquados de licitações públicas, a deficiência do sistema de processos no Judiciário, a questão cultural do "jeitinho brasileiro" e a falta de preparo educacional, ético e moral dos elementos envolvidos em malversões do dinheiro público.

A verdade é que não haverá mudança desse quadro instalado se não houver uma reação da sociedade contra toda a questão da impunidade, que é o resultado de todo o processo de corrupção. Sem que haja uma Reforma completa do Judiciário, uma Reforma Política que vise a implantação do voto distrital puro e do financiamento público de campanhas eleitorais, de uma Reforma Educacional que forje uma nova forma de pensar das gerações futuras e uma completa Reforma Administrativa na máquina pública (inclusive com direito a privatizações, criação e reforma de agências reguladoras e terceirizações onde se achar necessário), não haverá esperanças de reversão desse quadro crônico. Pela classe política atual instalada no País não há como se implantar tais reformas em toque de caixa; há uma necessidade preemente da sociedade se mobilizar em seus diversos segmentos organizados para exigir e buscar essas mudanças, inclusive pressionando essas "autoridades" através dos meios democráticos (protestos, mobilizações, passeatas, greves e utilização da mídia escrita, falada e eletrônica). O Brasil já tem capital e riqueza suficiente para se tornar um país de Primeiro Mundo: o que se precisa é que se reduza ao máximo as desigualdades e que se crie um verdadeiro comunismo de oportunidades para os seus habitantes, quaisquer que sejam eles. Mas, para isso, não basta que apenas os políticos tenham vontade política; o mais importante é que as pessoas tenham essa vontade política de mudar.

Você tem que ser capaz de fazer essa mudança, de mudar a sua mentalidade, sua visão de vida e se envolver com um projeto de País melhor para você e seus filhos. O milagre não se faz com assinaturas de canetas distribuindo milhões para o semi-árido, ou a construção de grandiosos hospitais e clínicas em regiões desfavorecidas, ou então se construindo grandes estradas; o verdadeiro milagre está em um adolescente que consegue dizer não para as drogas e sim para a educação; está no rapaz e na moça que conseguem finalmente o seu primeiro emprego depois de uma intensa batalha; está na mãe que trabalha em dois empregos e acha tempo para acompanhar o seu filho jogando futebol; esse é o verdadeiro milagre, a mudança de mentalidade, a maneira de ver a vida como algo recompensador e que valha a pena. É dessa mudança que o Brasil precisa para que Gautamas e Mensalões deixem de ser rotina e se tornem a exceção à regra, como devem ser. As pessoas devem enxergar que elas tem o poder de mudar o seu destino. Você quer ver um milagre? SEJA O MILAGRE!

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