Blog do René Santos Neto

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Local: Curitiba, Brazil

Médico, de centro-esquerda, coxa-branca, palestrino e ferrarista.

sábado, setembro 29, 2007

O imortal Coritiba

Épico: essa é a melhor palavra para definir o que ocorreu hoje no Couto Pereira. Diante de mais de 28 mil torcedores (sem necessidade de maquiagem e invenção de critérios por parte da imprensa marrom paga pelo El Coronel), o Coritiba mostrou mais uma vez porque é o Imortal das Araucárias.

Há partidas que somente o Coxa é capaz de fazer. Posso dizer que já presenciei pelo menos 3 partidas em que a camisa coxa-branca foi decisiva para que houvesse a vitória: a final de 1999, contra o Paraná, em que o Coritiba perdia por 2x0 e foi buscar o resultado com um gol de Darci aos 39 do segundo tempo, em pleno Pinheirão, até aquele dia notório cemitério coxa-branca; a final de 2004, em que o Coritiba virou o primeiro tempo perdendo de 3x2 para o rival do novo estádio nos padrões gaúchos de contagem de público e que, aos 33 do segundo tempo, com uma testada firme de Tuta e o seu famoso "shhhh" protagonizaram um bicampeonato histórico e o maior vexame da história recente do rival de Pelotas; e hoje, em que o Coritiba entrou em campo diante de quase 29 mil torcedores e jogou contra um adversário valoroso, muito bem montado e postado como é esse time do Ipatinga. Atrevo-me a dizer que os mineiros serão para esse final de década o que foi o Bragantino no começo da década de 90 e o São Caetano no início dessa década: o time mais encardido e chato de jogar que se tem notícia e que sempre vai chegar nas disputas. Foi diante desse rival é que o Coritiba, mais uma vez, deu mostras de sua imortalidade.

O jogo foi duro: 1 bola na trave de cada lado, chegadas ao gol com agudez de ambos os lados, um jogo franco, disputado de igual para igual. A tônica do jogo nos 90 minutos foi essa. E o resultado de empate parecia se encaminhar no final da partida. Apesar dos ataques incisivos do Coritiba no final da disputa, o valente e encardido Ipatinga vinha resistindo e levando para o Vale do Aço um empate que valeria como ouro nas suas contas. Mas aí resolver aparecer o imponderável, aquilo que transforma jogos simples em odisséias inesquecíveis. Aos 40 minutos do segundo tempo, em uma disputa áspera, o valente Gustavo acaba por agredir o zagueiro adversário, que revida a agressão sofrida. O árbitro Cléber Wellington Abade, erroneamente, vê apenas a agressão de Gustavo e expulsa o centroavante coxa-branca. O empate parecia se encaminhar depois disso. Mas Ricardinho, o habilidoso e liso 10 coxa-branca, resolve fazer uma graça na área mineira, aos 44 da etapa final. O valoroso zagueiro Duílio "cai" na ginga e derruba o meia coritibano na grande área. Pênalti nos estertores da peleja. Parecia o fim. Mas era apenas o começo.

O capitão Anderson Lima, do alto de sua autoridade, resolve pegar a bola e bater o pênalti. Jogador experiente, exímio batedor de faltas, aquela seria apenas mais uma cobrança para uma longa e vitoriosa carreira. Afinal, bastava jogar a bola na meta do jovem goleiro Fred e comemorar o que seria a consagração do time verde-e-branco rumo à elite do futebol nacional. Com tranquilidade, o capitão bate o tiro da marca fatal no canto esquerdo do jovem goleiro, que, por sua vez, se adianta a la Doni e Rogério Ceni e agarra a bola. O auxiliar, acertadamente, manda retornar a cobrança. Protesto por parte dos mineiros, mas, como diria Arnaldo Cézar Coelho, a regra é clara: o goleiro deve se mexer apenas na linha do gol, não deve se adiantar. Volta-se a cobrança para uma nova batida. Novamente Anderson Lima atira a bola no mesmo canto, o jovem Fred mais uma vez imita o Doni no jogo Brasil X Uruguai e, mais uma vez, o auxiliar manda voltar a cobrança. Outra vez protesto do time mineiro e, mais uma vez, retorna à bola a marca de tiro fatal. Nessa altura dos acontecimentos a torcida coxa já imaginava se era melhor deixar a responsabilidade da batida a algum outro jogador com mais pernas. Ricardinho, quem sabe. Ou então o jovem Marlos. Mas Anderson Lima, teimoso como Palermo naquele Argentina x Colômbia em que perdeu 3 pênaltis seguidos, resolve bater novamente. Nessa altura o árbitro Abade já lembrava Otávio Augusto na antológica cena da rua Javari no filme "Boleiros", em que o árbitro do filme manda voltar 5 vezes o pênalti até a hora que o batedor acerta. Até há um comentário maldoso do juiz naquela ocasião, dizendo que "daqui a pouco eu que terei que bater o pênalti". A bola volta à marca, e Anderson Lima, mais uma vez, repete o canto; Fred, mais uma vez, se adianta e espalma; dessa vez, o capitão pega o rebote e estufa a rede; mas, Cleiton Wellington Abade, tal qual o seu colega de profissão na rua Javari da década de 60, resolve mandar voltar a cobrança.

E lá vamos nós para a quarta e última cobrança. Já eram contados 54 minutos de jogo, e a torcida coxa estava a 10 minutos esperando por um gol que já não sabia se iria sair ou não. Dessa vez, o capitão resolve mudar o canto; e aí meus amigos, o resto é história. O Coritiba prova a imortalidade de sua camisa e arremata a vitória em seus domínios.

Houve favorecimento? Creio que não. O árbitro resolveu seguir a regra a risca, haja vista os acontecimentos do Mineirão no jogo Atlético-MG X São Paulo, em que o arqueiro Rogério Ceni desavergonhadamente adiantou-se e agarrou a cobrança de Coelho. Naquela ocasião, a falta de rigor à regra causou um dano ao campeonato irreparável, pois se não fosse aquele empate haveria uma disputa mais aguda entre São Paulo e Cruzeiro pelo título. Mas houve sim peso de camisa. Afinal, o Coritiba é um clube de história centenária, campeoníssimo em seu Estado, campeão brasileiro e dono de uma das maiores torcidas do território nacional. O Ipatinga é um mero clube de empresários, formado para revelar talentos e revender jogadores aos clubes mineiros maiores, notadamente o Cruzeiro. É um time novo, que nem em sua cidade consegue ter torcedores: tem que enfrentar concorrência dos grandes mineiros e do rival local Ideal, um simpático clube amador que resolveu se profissionalizar esse ano.

Por essas questões é que existem clubes que aparecem no cenário nacional como "cometas", que foi o caso do Bragantino, do São Caetano e hoje do Ipatinga; e existem casos de clubes que são "imortais", notadamente o Grêmio, o Palmeiras, o Galo Mineiro, o Flamengo, o Bahia e o Coritiba. Os imortais são clubes que, na pior das dificuldades, nos estertores das disputas e nos momentos mais improváveis conseguem viradas espetaculares, principalmente movidos por suas fanáticas massas. A vitória do Coritiba foi uma mostra do que significa a imortalidade de um clube no campo de futebol. Há clubes que estão lá apenas para constar, ganhar algumas glórias e depois esvanecerem-se nas lembranças; e há outros que conquistam títulos improváveis, vitórias impossíveis e títulos inesperados em condições épicas. E hoje posso dizer que tive o prazer de testemunhar um momento épico do futebol nacional. Parabéns ao Coritiba e a sua torcida, que é o coração e a alma desse grande clube.

VAMOS SUBIR COXA!!!

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terça-feira, setembro 25, 2007

Para rir

Sabe qual é o maior estádio do Estado do Paraná?

A Arena da Baixada, com seus 26 mil lugares, todos sentados, comprovados pela Gazeta dos Poodles.

Como conseguiram isso?

Fácil. É só colocar um falaciano sentado no colo do outro.

Mentira tem perna curta. Amor de verdade, somente o do Verdão do Alto da Glória.

VAMOS SUBIR COXA!!

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quinta-feira, junho 07, 2007

E que venha o xará!


René Simões, novo técnico do Coritiba. Um técnico "de nome" para o Glorioso.

Tirinha extraída do site Coxanautas

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sábado, junho 02, 2007

Tragédia anunciada

Em um jogo em que o melhor jogador em campo do Coritiba foi Gustavo (!!!), o Glorioso joga bisonhamente e é humilhado taticamente por Jair Picerni, o Eterno Vice. 1x0 saiu muito barato para o futebolzinho demonstrado pelo "esquadrão" verde-e-branco. Se o grito de "Fora Macuglia" era uma necessidade, hoje torna-se obrigação para se evitar o pior: a queda para a Terceira Divisão.

O jogo hoje prenunciava-se como um divisor de águas: depois de 2 vitórias sem convencer e uma derrota bisonha, o jogo contra o vice-campeão paulista era a oportunidade que o Coritiba tinha para se afirmar entre os times que podem vir a ser candidatos à vaga na elite do futebol brasileiro. Caso o resultado fosse negativo, ficava a certeza de que o time nada irá fazer de produtivo em 2007 e que teremos que rezar muito para que tenhamos mais 4 ou 5 times piores que o Coritiba no certame para não corrermos risco do vexame completo, o rebaixamento para a Série C. Pois o resultado não poderia ser pior: 1x0 foi muito pouco para o futebolzinho que o Coritiba jogou hoje. Se Somália, o astro do São Caetano, estivesse em campo, teria sido uns 4 ou 5x0 frouxo.

Do jogo, pouco a comentar. Um time displicente, com diversos erros táticos (meias mal-posicionados, volantes sem função, muitas bolas rifadas, falta de jogadas ensaiadas, erros de finalização), e facilmente marcado por um Azulão que jogou em um 3-5-2 burocrático e que soube pressionar bem a arbitragem. Ganhou na bola e na malandragem. Não bastasse, atuações bisonhas de Keirrison, Anderson Gomes, Rodrigo Mancha e cia. Só Edson Bastos e Gustavo (!!!), o péssimo atacante que pelo menos demonstrou raça, se salvaram da desgraça. E, pra gerir toda a tragédia, o "burro de sorte" Guilherme Macuglia. Nem irei comentar muito desse ser acéfalo. A única coisa que peço é a demissão sumária desse ser desprovido de inteligência humana. Simples assim.

De perspectivas, poucas. Mesmo se o Asno for embora, não nutro mais esperanças de ascensão à Primeira Divisão. São Caetano, Vitória, Brasiliense, Criciúma e Ponte Preta contam com times muito mais organizados e com mais estrutura para subir. O Coritiba ia precisar de uma revolução no departamento de futebol e de muita sorte para competir de igual para igual contra esses adversários. Se o Coritiba não cair para a Terceira Divisão esse ano já será o lucro do lucro. O jeito é rezar para 2007 acabar logo, o Pangaré-Mor picar a mula (isso se ele não achar um jeito de ficar mais um pouco para terminar a "obra-prima" que ele está construindo, a destruição do Coritiba) e que pessoas que amem de verdade o Coritiba possam dar novos destinos ao Glorioso em 2008.

Saudações Alviverdes

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sábado, maio 19, 2007

E o calvário continua...

Jogando mal e perdendo muitos gols, Coritiba leva gol de refugo e volta com derrota do Planalto Central

O filme continua, e com contornos trágicos. Depois da vitória não tão convincente contra o Paulista na primeira rodada (se não fosse a raça de Túlio, tinha saído com uma derrota já de cara em casa), o Coritiba viajou ao DF confiante achando que poderia trazer mais 3 pontos. O gênio sentando no banco Guilherme Macuglia (mistura mal-feita de Professor Pardal com o Burro do Shrek), ao invés de usar a velha máxima do futebol "em time que está ganhando não se mexe", resolve fazer suas invencionices e promove a estréia de meio time do bando de jogadores que veio do atacado paulista e gaúcho (em bom português, a raspa da raspa da raspa do tacho dos timecos que ficaram na metade da tabela dos Estaduais).

A única mudança coerente foi a entrada de Edson Bastos no lugar de Vanderlei no gol, até por motivos de experiência (Bastos já disputou 2 Campeonatos da Série A como goleiro titular. Vanderlei está vindo agora do campeão paranaense Paranavaí). O resto das mudanças foram totalmente desastrosas: trocou o bom menino Felipe (que fez uma surpreendente e segura estréia) pela aberração Dezinho (que já tinha feito suas cagadas na ADAP/Galo e hoje não foi diferente), tirou o pra-lá-de-ruim Adriano pelo muito pior Careca (jogador do Veranópolis de titular é para chorar...) e, para terminar a obra-prima, manteve o craque de bola Keirrison no banco para deixar o apenas esforçado Hugo no ataque novamente.

Mais uma vez o que se viu foi o repeteco do primeiro tempo contra o Paulista: um time sem criatividade no meio (Pedro Ken jogando sozinho e Henrique Dias vindo toda hora buscar a bola no meio), com pouca pegada na marcação (Juninho, a piada de sempre, jogador inútil ao melhor estilo Capixaba, Jackson, Geraldo, Guaru e tantas outras feridas da era Gionédis; Careca visivelmente fora de forma e que saiu de campo em pouco mais de 30 minutos; Gustavo, que substituiu Careca, completamente fora de forma, atrapalhado, sem noção de jogo e limitadíssimo na marcação e na armação de jogadas) e desperdiçando muitos gols. Hugo perdeu um gol no primeiro tempo que até a velha da Buenos Aires marcava. O resultado? Nunes, velho conhecido da torcida Coxa, refugão, foi lá e arrematou a meta coxa no início do jogo. E aí foi o velho jogo que já vimos contra Botafogo, Paranavaí e tantos outros: o timeco fechado lá atrás e o Coritiba jogando a bola na área para ver se sobrava alguma. O resultado não poderia ser diferente: 1x0 para o bisonho Gama, de Eduardo Ninja (o ala astro do jogo, acabou com o idoso Anderson Lima e foi o terror de Dezinho e Henrique, outro que teve atuação deplorável. Deve estar pensando nos euros e nas italianas de Udine...) e Nunes, aquele que fazia dupla com Luis Carlos Bombeiro no tosco time de Antonio Lopes do Paranaense de 2005.

O resultado de hoje apenas mostrou a realidade do Coritiba: não iremos almejar de forma alguma a vaga para a Primeira Divisão se continuarmos com Guilherme Macuglia como treinador. O elenco até é razoável se for bem-montado e postado, e tiver uma proposta clara de jogo, com jogadas ensaiadas e boa movimentação. Com Macuglia isso jamais irá existir. O asno tem um QI de 54, próximo de uma lagartixa com Mal de Alzheimer. Na cabeça desse jumento só existe espaço para "motivação" e "falta de sorte". Competência, organização e esquemas táticos são palavras muito elaboradas para uma figura tão desprovida de inteligência. Mas, pior que Macuglia (que sabe que é jegue), são o diretor de futebol Vialle (vulgo Comprador de Goleiros) e o presidente GiGi, que continuam insistindo no eqüino treinador. Na certa só irão pedir a cabeça do jumento quando Inês for morta, ou seja, quando já tivermos perdido a vaga para a 1ª e estivermos em rota de risco para a 3ª Divisão. É assim que são as coisas no Coritiba do atleticano GiGi, e não acredito em fadas, duendes e leprechauns para crer que a coisa será diferente agora.

O próximo jogo contra o Ituano (outro time bisonho como o Gama) será mais uma prova de sofrimento para a torcida coxa. É difícil acreditar em um time em que o treinador deixa os melhores jogadores do elenco (Keirrison, Diogo, Felipe) no banco e só coloca os caras na hora em que o leite já está derramado. Ou se toma uma providência de demitir esse asno enquanto é tempo ou teremos que presenciar, mais uma vez, mais um espetáculo dos horrores a cargo de Guilherme Macuglia, Juninho e cia. limitada...

QUEREMOS TREINADOR!

SAUDAÇÕES ALVIVERDES

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sexta-feira, maio 11, 2007

Segundona: o que esperar do Coritiba

Juntamente com o início da Primeira Divisão, teremos o início da Série B e do recomeço do calvário do Glorioso. Devido a sua diretoria corrupta, incompetente e safada, o Glorioso permanece na Série B em 2007. Não bastasse, a falta total de profissionalismo e preparo da diretoria protagonizou nos últimos dias, com a comédia das dispensas (teve jogador que sequer jogou um jogo e foi dispensado) e das contratações (negociações atrapalhadas, vazamento de notícias para a imprensa, fora os "chapéus" que o Dr. Vialle tomou nas negociações com alguns jogadores do interior). Nada surpreendente se lembrarmos que a diretoria é composta por um Presidente que deixou um rombo de R$ 30 bilhões no esquema do finado Banestado e por um Diretor de Futebol que ficou conhecido por ter comprado o goleiro do Iraty no quadrangular final do Paranaense de 1998.

Dói muito na nossa alma coxa-branca ver a forma como esses atleticanos estão administrando o Clube. E digo atleticanos porque jamais alguém que fosse torcedor do Coritiba agiria como esses safados agem. Nem Mário Celso Petraglia seria tão maquiavélico a ponto de derrubar o Coritiba no campo para a Segundona, contratar "craques da bola" como Ludemar, Guaru, Geraldo, Marcelo Mendes e tantos outros perebas que conseguiram superar os sombrios tempos de Cruvinel, Toninho Cajuru e Jétson.

A estréia amanhã será permeada de incertezas: estréia de um bando de jogadores comprados no atacado, um técnico limitadíssimo, a falta completa de um padrão de jogo e um adversário bem acertado, inclusive que conta com um craque no elenco (Rodrigo Fabri). Se o Coritiba sair com um resultado positivo já terá operado um milagre diante da situação atual do clube. A minha análise de torcedor é de que se o Coritiba permanecer na Segundona (!!!) já será um grande feito para o Clube. Sonhar com a Primeira Divisão, com os Três Patetas (GG, Vialle e Macuglia) no comando, só se acontecer um milagre daqules...

Vamos cumprir nosso papel de torcedor e acreditar. Vamos ver se o nome desse filme muda de "À Espera por um Milagre" por "A Luta pela Esperança". Afinal, a esperança é a última que morre. Apesar que, no caso do Glorioso, ela já esteja na UTI...

Saudações Alviverdes!

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domingo, abril 15, 2007

PROJETO COPA-2014: DESVAIRIO OU REALIDADE? (publicado no site do Vô Coxa em 13/04)

PROJETO COPA-2014: DESVAIRIO OU REALIDADE? - Acendam velas, matem galinhas pretas, façam oferendas ao Exu-Caveira. Rezem muito, turma da Baixada. Se o projeto Tarumã-2014 se concretizar, a parte ruborizada da cidade terá que se preparar para sofrer gozações pelo resto de suas vidas. Fora o risco de ficar com a meia-água incompleta...

Na última semana surgiu uma notícia que, inicialmente, começou como um boato desvairado mas que, com o passar dos dias, vem ganhando contornos dramáticos para uma peleja que parecia decidida a favor da turma de Baixo. A chamada “onda 2014”, tão cantada em verso e prosa pela turma do “el Mejor Estádio del Mundo”, atingiu definitivamente autoridades e clubes de todo o Paraná. E, para surpresa da turma da empáfia e da arrogância, todas as entidades do Estado vem se unindo para apoiar o projeto Tarumã-2014. Confesso que fui apanhado de surpresa pela notícia. Não acreditei, a princípio, pois achei que fosse mais uma das “pegadinhas do Moura”. Mas, ao ver o secretário Ricardo Gomyde e o governador do Estado se comprometendo com o projeto da Copa-2014 e, principalmente, ofertando o terreno do finado Pinheirão como alternativa para o novo estádio, comecei a ver com outros olhos a situação. É certo que GG é o maior picareta que já passou pela presidência do Coritiba em toda a história do Clube. A queda para a Segunda Divisão e as picaretagens que aprontou no Governo são elementos que pesam na hora de fazermos qualquer analise mais apurada sobre propostas e idéias que venham dessa figura. Mas o projeto Tarumã-2014, por mais surreal e irrealista que seja no momento, foi uma sacada interessante dessa figura execrável. Pasmem.

Há algum tempo debato com os meus amigos coxas-brancas que o Coritiba tem a necessidade de se adequar à realidade do futebol mundial. O tempo romântico do futebol, aquele das grandes casas de futebol, com 70, 80, 90 mil pessoas apinhadas nas gerais dos estádios, acabou. O modelo de gestão europeu, baseado nos multieventos e na utilização dos espaços dos estádios como centros comerciais e culturais, vem se mostrando a alternativa viável para a sobrevivência dos velhos clubes de futebol. Em resumo, o futebol se tornou um grande negócio. E, para se sobreviver nesse mercado, é preciso ter ousadia. Ousadia para buscar novas oportunidades, disputar nichos de mercado e estabelecer novos paradigmas. Nesse sentindo, a Copa-2014 é a grande oportunidade dos clubes brasileiros se ajustarem definitivamente ao novo ciclo econômico do futebol. Bilhões de dólares (foram investidos cerca de US$ 6 bi para a construção de estádios e estruturas de suporte na Copa-2006) irão inundar a economia brasileira e, por conseqüência, caixas de governos locais e clubes. E, para um clube quase centenário como o Coritiba, surge a oportunidade de se buscar um projeto capaz de sediar o evento mais importante do esporte mundial e que seja perene pelos anos vindouros da competição.

O Couto Pereira faz parte de nossas mais doces lembranças e da nossa história. Foi nele que o Coritiba forjou a sua fama de “Glorioso”, conquistando quase todas as suas conquistas mais importantes. Porém, para a realidade de hoje, o Monumental está ultrapassado. Por mais que façamos uma grande reforma, o Couto não teria condições de abrigar a Copa, pois faltaria, segundo os encargos da FIFA, uma área de dispersão de público em suas saídas (teríamos que demolir todos os prédios em volta da Rua Mauá e da Amâncio Moro para atendermos as exigências), bem como uma área de estacionamento adequada para carros e ônibus. Mas, pasmem vocês, se não houvesse a oportunidade da construção de um novo estádio em Curitiba, o estádio com melhores condições de receber a Copa em nossa cidade seria o nosso Monumental. Por mais que a turma lá de baixo fale que “el Mejor” tem cadeirinhas em todos os setores, cheiro de shopping-center, divisão de acrílico entre as torcidas, pombal do Coronel e outras perfumarias, há um “pequeno” elemento que inviabiliza por completo o projeto “El Mejor-2014”. O estádio da Água Verde segue a orientação Leste-Oeste (a exemplo da Fazendinha, vulgo Parque São Jorge, em São Paulo), contrariando os padrões FIFA, que exigem orientação de campo Norte-Sul. Em resumo: a Casa China Arena teria que ter as suas sociais da Getúlio Vargas demolidas para se adequar ao padrão FIFA. Pior: as novas arquibancadas seriam construídas muito próximas ou dentro da via de circulação da Getúlio Vargas e em terrenos hoje ocupados por prédios residenciais. Ou seja, altos custos de desapropriações e processos judiciais. Não bastasse, há o mesmo problema do nosso Majestoso, ou seja, falta de áreas adequadas para vazão de torcedores e estacionamento adequado. O megalomaníaco projeto de construir um estacionamento na Praça Afonso Botelho é uma piada de mau gosto e que atenta a comunidade residente no Água Verde. Em resumo, a mentira que o Coronel não conta aos seus torcedores é que a Casa China Arena terá que ser inteiramente reconstruída para abrigar a Copa do Mundo. Simples assim.

Analisando assim, começa-se a ver que o projeto Tarumã-2014 iria implicar em menos custos e menor exercício de destruição urbana que todos os outros projetos que possam a vir ser apresentados. Elementos que contam a favor desse projeto: um grande terreno, em uma região bem servida de transportes na cidade (vale lembrar que até 2008 estará pronta ou em fase de finalização a Linha Verde, a nova BR-116, com 11 pistas; e, até 2014, já existirão linhas de metrô ou projetos para atender àquela região) e próximo à Região Metropolitana, local onde estará residindo a maioria da população de nossa cidade e região nos próximos 10 anos; Elementos desfavoráveis: a dívida da FPF com os Governos, da ordem de 15 milhões de reais; alguns atores envolvidos no comando inicial do projeto (Severiano ao contrário, GG); a resistência da torcida do Coritiba em sair do Alto da Glória e, para finalizar, a incerteza do financiamento do elefante branco. Até agora não se tem notícias de quem seria o grupo financiador do empreendimento. Só boatos. Fora que só existem esboços do projeto do novo estádio. Já se chegou a comentar até que haveria uma revisão do projeto inicial de conclusão do antigo Pinheirão. Enfim, incerteza geral.

Agora, cabe aqui uma análise quanto ao comportamento atual da diretoria do time do Coronel: a mesma mão hoje que agride RPC, FPF e Governo do Estado do Paraná, acusando-os de “autofagia” e “inveja”, foi a mesma que pediu ajuda para a TV Globo nos projetos de marketing “dos Paranaenses”, cápsula do tempo e outros factóides; a mesma que recebeu ajuda do senhor Ivens Mendes no esquema de compra de árbitros em 1996, do senhor Oscar Roberto de Godói na final de 2000, do senhor Mafra na final de 2004 e dos amigos de preto que deram 18 (?) pênaltis durante todo o Campeonato Brasileiro de 2004; a mesma que recebeu o “alvi-verde” governador Jaime Lerner para inaugurar a Meia-Água em 1998, Meia-Água essa construída sob financiamento suspeito para um clube que, há 5 anos antes, não tinha dinheiro sequer para comprar uniformes de treino para a sua equipe. Resumindo: será que cabe ao filho ingrato reclamar de “autofagia” ao cuspir no prato que comeu?

Finalizando, gostaria de colocar que a casa do Coritiba jamais deixará de ser o Alto da Glória, tendo estádio novo ou não. Foi no Monumental que construímos nossa história, nossa identidade e nossa paixão pelo Glorioso. Se a nova casa deixar de ser um devaneio dos mandatários e se firmar como uma realidade, que seja bem-recebida pela massa alviverde e que seja à altura das glórias e da história do Coritiba. Que possa ser o ponto de partida para o renascimento da instituição Coritiba Foot Ball Club. Mas, antes de devaneios e sonhos, há uma necessidade preemente para o nosso clube: o acesso à Primeira Divisão. Sem o Coritiba na elite, não há razões para quaisquer outras perspectivas de crescimento a médio e a longo prazo. A Primeira Divisão e o título paranaense são obrigações históricas que devem ser realizadas esse ano, para que possamos voltar a ter orgulho de nossa história e de nosso clube, não só de seu passado, mas como de seu presente e do seu futuro.

DÁ-LHE COXA!

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