Blog do René Santos Neto

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Médico, de centro-esquerda, coxa-branca, palestrino e ferrarista.

sexta-feira, maio 04, 2007

Para refletir

"Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá."

Ayrton Senna da Silva - Tricampeão Mundial de F1

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Ainda resta esperança para a Terra

Ainda há uma luz no fim do túnel. Depois do alarmante relatório da ONU sobre o aquecimento global (colocando que, na melhor das hipóteses, o clima terá um aumento médio de quase 3ºC, o que resultaria no fim certo da maioria das cidades litorâneas), hoje aprovou-se, em uma nova reunião da cúpula que discute o aquecimento, uma série de medidas que visam combater a doença que acomente o nosso planeta. O relatório prevê o fim dos combustíveis fósseis (as Sete Irmãs que não devem ter gostado disso...) e a substituição progressiva por combustíveis renováveis, notadamente a energia solar, eólica, nuclear, elétrica e biocombustíveis (notadamente os desenvolvidos pela Petrobrás, o álcool da cana-de-açúcar, o biodiesel e o HBio). Uma medida sensata e que prima principalmente pela sobrevivência de todos no planeta. Afinal, já fazem mais de 10 mil anos que o homem vem impondo uma destruição massiva do ambiente onde vive e, pior, o pratica sendo consciente disso e visando apenas o prejuízo de sua própria espécie. Esperamos que o lobby da indústria da destruição global (notadamente a indústria do petróleo) não esfrie os ânimos dos governos em buscar impedir a hecatombe global. Já bastam 150 anos de exploração e poluição desenfreada em busca apenas do lucro máximo e da destruição do planeta. E, como sempre acontece, a natureza cobra a fatura. Pode demorar, mas ela sempre faz questão de se regenerar e destruir o ser que está provocando o seu desequilíbrio, nesse caso, o homem. É hora de respeitarmos essa força e vivermos em harmonia com ela, senão, não haverá esperanças de um amanhã melhor para nós e nossos descendentes.

Segue reportagem do portal EPTV.com:


Para ONU, frear aquecimento global é possível
Adoção de biocombustíveis e fontes de energia renováveis são alternativas

04/05/2007 - 07:58 - Cientistas e autoridades de mais de 100 países concluíram nesta sexta-feira (4) que lutar contra o aquecimento global é possível financeiramente e que a tecnologia disponível é suficiente para diminuir as emissões de gases poluentes. Com medidas rápidas e enérgicas seria possível evitar o caos climático no futuro.

As informações foram divulgadas no relatório final do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), organizado pela ONU em Bangcoc, Tailândia. Especialistas em clima e representantes de diferentes países estavam reunidos desde segunda-feira (30) discutindo sobre o tema. Foi o terceiro relatório elaborado em 2007.

O relatório servirá como um manual para os governantes e aborda formas de evitar o aumento da emissão de gases que causam o aquecimento global, particularmente o dióxido de carbono (CO2) liberado pela queima de combustíveis fósseis e florestas. Revê as últimas descobertas científicas sobre custos e formas para frear as emissões e ainda afirma que as atuais políticas ambientais são inadequadas.

As delegações dos diferentes países chegaram a um consenso de que o mundo tem tecnologia e dinheiro para limitar o aquecimento global, mas deve agir imediatamente. A adoção de biocombustíveis e fontes de energia renováveis, além de melhor aproveitamento energético, entre outras medidas, podem reduzir o impacto do desastre mundial. Há uma variedade tecnológica já disponível para conter as mudanças climáticas com um custo razoável até mesmo para os países responsáveis pelos maiores danos à natureza.

“Os esforços para a atenuação do aquecimento global e para a diminuição da poluição nos próximos 20 ou 30 anos terão um grande impacto sobre as possibilidades de alcançarmos os níveis mais baixos para a estabilização das emissões de gases que provocam o efeito estufa”, afirma a conclusão do IPCC.

O texto também contempla a energia nuclear, a solar e a eólica, além das práticas para a captação e o armazenamento de CO2 emitido. Mudanças na forma de plantio de algumas culturas e no tratamento de rebanhos ainda podem diminuir emissões de gás metano, que também causa efeito estufa. Em alguns casos, as tecnologias proporcionarão grandes benefícios, inclusive menores gastos com saúde por causa da diminuição da poluição.

“Existiam algumas pendências em relação à questão nuclear, mas finalmente chegamos a um acordo sobre isso”, afirmou Andres Flores Montallo, da delegação Mexicana.

Participando da conferência apenas como observador, Jacques Selliers, diretor de uma organização não-governamental, concorda que o balanço final foi positivo. “Algumas partes foram mais difíceis, alguns trechos do documento foram eliminados, mas acredito que no geral o relatório manteve sua essência científica e permanece muito bom”, disse.

Resistência
A União Européia e a China discutiram sobre os custos e a quantidade permitida para emissões de gases que causam o efeito estufa.

Segundo maior poluidor do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos , a China foi um dos países que mais resistiram à recomendação de reduzir a concentração de partículas de CO2, juntamente com a Índia. O nível atual é de 430 partículas de CO2 por milhão, de acordo com os especialistas, e o objetivo é manter em 445 partículas de CO2 por milhão em 2030.

“Com as atuais práticas, as emissões vão continuar a crescer nas próximas décadas”, afirmou um participante do encontro.

A delegação chinesa reclamou que os custos regionais para frear as emissões diferem muito das médias mundiais. Outro representante afirmou que o objetivo não é realista, dado o aumento das emissões de países em desenvolvimento.

A União Européia pretende seguir o limite máximo permitido para atingir a meta de um aumento de apenas 2ºC na temperatura global, um nível que, se ultrapassado, seria o ponto de partida para perigosas mudanças no sistema climático mundial.

Mas ao deixarem o encontro, os participantes concordavam que a ciência parece ter vencido a política.

Relatórios
O relatório é o terceiro a ser lançado pela ONU neste ano e resume o trabalho de 2500 cientistas. Os dois anteriores fizeram previsões terríveis sobre o futuro do planeta.

Entre os problemas que o aquecimento global vai causar estão o aumento do nível dos oceanos, que encobrirá ilhas e áreas litorâneas, ondas de calor, seca e enchentes.

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Em busca do mandato perdido

Parece que finalmente a bandalheira do troca-troca de partidos na Câmara Federal vai ter uma solução democrática. PSDB, PPS e Democratas, os últimos bastiões da Oposição, foram ao STF requerer os mandatos dos deputados que se elegeram por suas legendas e se venderam ao Governo após a posse. O princípio é baseado na nova lei dos Partidos, aprovada em 2005, que prevê que o mandato pertence ao partido e não ao deputado. Algo justo, afinal são poucos os deputados que conseguem o quociente de votos suficiente para se elegerem sozinhos. Ademais, se não existissem os partidos (ou cartórios de registro de candidaturas) os senhores deputados não teriam onde apresentar suas candidaturas e suas "plataformas" para a sociedade. Estamos dando uma engatinhada democrática. Que o STF considere a lei ao pé da letra e casse os deputados mensaleiros (afinal, não há diferença entre esses que trocaram de legenda por alguns mils a mais na conta e os outros envolvidos no Escândalo do Mensalão. O princípio é o mesmo). Será um avanço democrático para a Nação e a esperança de que a democracia finalmente será levada a sério. Segue reportagem da Folha de São Paulo:


04/05/2007 - 17h57
Em busca de mandatos de infiéis, oposição diz que troca de partido é inaceitável

GABRIELA GUERREIRO
ANDREZA MATAIS
da Folha Online, em Brasília

O PSDB, o DEM e o PPS protocolaram hoje no STF (Supremo Tribunal Federal) mandado de segurança contra o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para obrigar a Mesa Diretora da Câmara a devolver aos partidos os mandatos dos parlamentares que mudaram de legenda. A oposição quer que a Câmara cumpra decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que determina que o mandato pertence ao partido ou à coligação, e não ao candidato eleito.

A oposição pediu a Chinaglia a convocação imediata dos suplentes para substituir os deputados que deixaram as legendas. O presidente da Câmara, no entanto, arquivou o pedido por considerar que a devolução dos mandatos deve ser analisada pela Justiça.

No mandado de segurança, os três partidos argumentam que Chinaglia cometeu uma "ilegalidade" ao indeferir o pedido. "É fato público e notório que o impetrante [do mandato] faz oposição ao governo federal, ao passo que os partidos para os quais migraram os parlamentares infiéis integram a base governista", diz o texto.

O PPS, o DEM e o PSDB afirmam ainda que é "inaceitável" um parlamentar abandonar o partido pelo qual foi eleito para trocar de legenda. O DEM contabilizou a perda de oito parlamentares desde o inicio do ano. A maioria migrou para partidos da base aliada do governo: Cristiano Matheus (PMDB-AL), Sabino Castelo Branco (PTB-AM), Marcelo Guimarães Filho (PMDB-BA), José Rocha (PR-BA), Tonha Magalhães (PR-BA), Nelson Goetten (PR-SC) e Laurez Moreira (PSDB-TO) e Jusmary Oliveira (BA).

O PPS elegeu 22 deputados, mas viu sua bancada murchar para 14 parlamentares de outubro passado até agora. Metade dos que saíram escolheram o governista PR como nova casa.

O PSDB também decidiu recorrer à Justiça para reaver os mandatos de sete deputados eleitos pela legenda no ano passado que já trocaram de sigla.

A decisão do TSE estabelece a chamada fidelidade partidária para os cargos obtidos nas eleições proporcionais (deputados estaduais, federais e vereadores) e tem por objetivo impedir a troca de partidos políticos.

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Domingo de decisões e Gol de retrovisor



Meus caros, está chegando o domingo de decisões nos Estaduais. No Paulista, o Santos tem a difícil missão de tentar reverter o resultado em cima do São Caetano, o time mais encardido da história do futebol brasileiro (apesar que o Ipatinga está caminhando a passos largos para disputar tal título). Mesmo com Luxemburgo, Zé Roberto e Pedrinho no time, vejo como mais provável o bicampeonato do time do ABC. Mais uma vez, com um orçamento exíguo, o São Caetano dá baile de bola nos grandes e chega lá. Mesmo se não ganhar o Paulista, é o grande favorito para vencer a Série B. Méritos para uma diretoria profissional e um técnico extremamente competentes (Dorival Junior).

No Rio, uma decisão de eletrizar: Fla X Bota. O Flamengo vem mordido depois de levar uma sapatada em Montevidéu do tal Defensor. A casa caiu literalmente pelos lados da Gávea: Juninho Paulista quebrou o pau com o técnico Ney Franco no vestiário e foi dispensado pela diretoria. O domingo vai ser o dia da verdade para o treinador. Já o Botafogo vem motivado com o grande resultado obtido no Mineirão, na partida de ida contra o Atlético. Méritos de um elenco competente e bem acertado pelo treinador Cuca (que até pouco tempo atrás estava rebaixando o Coritiba para a 2ª Divisão). Realmente, o mundo dá voltas. Nessa final aposto no Botafogo. Tem mais time, mais elenco e mais técnico. Está num momento psicológico melhor. Só perde se houver um desastre muito grande no Maracanã. Mas o futebol é uma caixinha de surpresas, como diria Benjamin Wright...

No Rio Grande, não vejo muitas supresas: o Grêmio fatura o bi em cima do Juventude. Depois de um grande resultado na Serra Gaúcha (empate em 3x3), o Grêmio vai para a decisão do Olímpico motivado e, a exemplo do Botafogo, com um elenco extremamente acertado. Méritos de Mano Menezes, técnico do Grêmio há 2 anos e que tem o controle do elenco. Mas o Juventude não irá fazer feio. É outro time que conta com o dedo do técnico, o competente Ivo Wortmann, que já passou aqui pelas bandas do Coritiba. Será mais um grande jogo.

Em Minas a coisa já está decidida. O Galo literalmente atropelou o Cruzeiro e garantiu a taça no domingo passado. Foi uma daquelas derrotas humilhantes, que ficam marcadas nas histórias dos clássicos. Os 4x0 do Galo se comparam aos 8x0 do Palestra em cima dos gambás em 1933, dos 5x1 do São Paulo no Corinthians em 2005 e dos 5x1 do Coritiba em cima do Atlético em 1995. Era a vitória que faltava para lavar a alma da torcida atleticana, tão humilhada nessa década pelo jejum de títulos, o título brasileiro dos cruzeirenses em 2003 e a queda para a Segunda Divisão em 2005. É bonito ver o renascimento de um grande clube, principalmente depois de tudo o que o Atlético-MG passou. E, para homenageá-los, nada melhor que o "gol do retrovisor", um golaço da esperteza e malandragem de Vanderlei, disponibilizado nesse post. Vale a pena conferir.

E aqui no Paraná temos o clássico Pa-Pa, Paranavaí e Paraná. O Paranito vem cambaleante depois da surra e do roubo que levou do Libertad (o time do Caixa D´Agua da Conmebol, o sr. Nicolas Leoz, patrono do clube paraguaio). Apesar de precisar de uma vitória simples para levar a partida para a prorrogação, o Paraná deve enfrentar muitas dificuldade, as quais Coxa e Atlético-PR já tiveram que passar. O Paranavaí é o time mais bem acertado do Campeonato, conta com bons jogadores e já mostrou que é capaz de resistir à pressão da torcida. O Paraná vai ter que contar, além da competência técnica, de muita sorte para conseguir obter um gol no começo do jogo. Se deixar o tempo passar, o Paranavaí vai se tornar dono do jogo. E aí meus caros, pela primeira vez em 15 anos, poderemos ver o título paranaense voltando ao interior do Estado.

Vai ser um domingão de arrepiar!

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quinta-feira, maio 03, 2007

Momento Musical - U2 - Beautiful Day



Para iniciar a nossa seção "Momento Musical", nada melhor que Bono, The Edge, Adam e Larry, simplesmente U2, a melhor banda do mundo. Esse é o clipe de Beutiful Day, o single de estréia do álbum All That You Can´t Leave Behind, gravado no aeroporto Charles de Gaulle. Para descrever U2, não há palavras: basta ouvir e curtir muito!

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É com você, Sílvio!



Aí está, meus caros. Um dos grandes mistérios da humanidade desvendado: o rosto do lendário Lombardi, o famoso loucutor do Programa Silvio Santos, revelando em uma entrevista para a TV, na qual tece rasgados elogios ao seu "patrão". Reza a lenda que Lombardi não podia mostrar o seu rosto em meio público por força de um contrato que teria assinado com o Homem do Baú. Pois bem, com contrato ou não, o YouTube (derrubador oficial de mitos e lendas da Internet) consegue essa para nós. É com você, Lombardi!

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Operação Vaga Certa: PF desmantela esquema de compra de vagas em universidades

Nessa semana a Polícia Federal desencadeou uma série de prisões da Operação Vaga Certa, um esquema de compra de vagas em universidades públicas e privadas com a utilização de "treineiros" e facilidades nas provas de vestibular de todo o Brasil. Mais uma vez, a realidade crua da falência do ensino brasileiro: um sistema arcaico de ensino, baseado numa seleção questionável de seus alunos e que permite o crescimento desenfreado dos mercados paralelos (cursos de formação suplementar e mercado ilegal de compra de vagas). Segue reportagem do Portal Globo.com:


30/04/2007 - 13h14 - Atualizado em 30/04/2007 - 15h21
Seis pessoas são presas suspeitas de vender vagas em universidades
Grupo estava infiltrado no Rio de Janeiro e no Ceará.
Vagas em universidades públicas e privadas eram negociadas por até R$ 70 mil.
Do G1, em São Paulo

Seis pessoas foram presas nesta segunda-feira (30) durante a Operação Vaga Certa, deflagrada pela Polícia Federal para combater um esquema de venda de vagas em universidades públicas e privadas. Duas delas foram presas no Rio de Janeiro e quatro no Ceará. Ainda há mandados de prisão para serem cumpridos.

Segundo informações da PF do Ceará, o líder do esquema identificado como O.V. está com a prisão decretada e mora no Ceará. Ele teria como "braço direito" um casal do Rio de Janeiro, que foi preso nesta manhã. A mãe de O.V., M.F.V.M., foi presa hoje, em casa. Ela é suspeita de cuidar da contabilidade do grupo.

O.V. seria o responsável por identificar e recrutar os melhores alunos de cursinho ou calouros de boas universidades públicas para fazer as provas dos vestibulares no lugar dos candidatos inscritos. Esses jovens, chamados "pilotos", recebiam até R$ 6.000 por cada aprovação que conseguiam. O.V., que é aluno de um curso de medicina, também atuava como estudante piloto. Segundo informações da polícia, ele vai se apresentar ainda hoje.

Três alunos pilotos foram presos nesta manhã no Ceará. Um deles é a universitária A.S.M. que, segundo a PF, é aluna do curso de medicina de uma universidade federal e participava do esquema fazendo as provas para os candidatos inscritos. Outro estudante preso é P.H.B.M.F. e o terceiro é F.N.M.N. Todos estão presos na sede da Polícia Federal do Ceará prestando depoimento.

O grupo também comercializava a transferência de universitários aprovados em universidades particulares para universidades federais e estaduais. Por cada uma dessas vagas a quadrilha recebia entre R$ 25 mil e R$ 70 mil.

Os alunos "clientes" da quadrilha também estão sendo investigados por crime de fraude no vestibular. Ainda não há prisão decretada contra eles. Segundo a PF do Rio de janeiro, foram identificados pelo menos 30 alunos clientes.

De acordo com a PF do Ceará, o esquema de compra de vagas nas universidades funcionava desde 2002 e estava sendo investigado há oito meses. Segundo a polícia, vagas teriam sido comercializadas também em São Paulo, em Minas Gerais e no Paraná. A Polícia Federal de São Paulo informou que não há nenhuma operação acontecendo na cidade nesta segunda-feira.

A operação começou no Rio de Janeiro e se estendeu para o Ceará porque era de lá que saíam os estudantes pilotos. Ainda não é possível saber quantas vagas foram "compradas" por meio do esquema.

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Deficiência do Ensino Médico: a que interessa? - Parte II

Abaixo, reportagem da Gazeta do Povo de 02/05/07 comentando sobre a abertura de novos cursos de Medicina em faculdades particulares. Deixo aqui a nota de que o Brasil já conta com 160 faculdades, número superior de instituições aos EUA e 5 vezes maior que o Canadá, um dos países de excelência de qualidade de ensino médico e saúde pública no Mundo. Mais uma vez, fica a questão: quem está errado: nós ou eles? A quem convém formar péssimos médicos, sem a devida preparação técnica e humanística? Para que serve o MEC? Para autorizar e fiscalizar cursos de qualidade ou satisfazer o clientelismo espúrio, tão disseminado na estutrura burocrática nacional?

Vejo como inevitável a instalação de uma prova para a obtenção do CRM nos próximos anos. Como a OAB, o CFM encontra-se de mãos atadas para impedir o avanço desenfreado das faculdades caça-níqueis. Mas, ao menos, pode impedir, temporariamente, que profissionais de formação questionável cheguem ao mercado de trabalho. O lado negativo será, mais uma vez, o fortalecimento do mercado externo de formação suplementar. Mas aí a bola está do lado do MEC, mais uma vez. Até quando?


EDUCAÇÃO - VESTIBULAR | ENSINO 02/05/2007 - 15h01

MEC analisa abertura de mais 4 cursos de Medicina no Paraná

Faculdades de Curitiba, Foz, Cascavel e Ponta Grossa querem formar médicos
por MARIA GIZELE DA SILVA - GAZETA DO POVO

Ponta Grossa – O Paraná tem 16.260 médicos e todo ano pelo menos mais 770 se formam em oito universidades que ofertam o curso de Medicina no estado. Para a classe médica, esse número é mais do que suficiente. Porém, para algumas universidades que pleiteiam a abertura do curso, as regiões onde elas estão inseridas carecem de mais profissionais.

Dos 11 pedidos que tramitam no Ministério da Educação (MEC), em Brasília, quatro são de instituições de ensino superior paranaenses localizadas em Curitiba, Ponta Grossa, Cascavel e Foz do Iguaçu. Nas duas últimas semanas, consultores do ministério visitaram as candidatas. Os pareceres devem demorar dois meses.

No início deste ano, o MEC impôs uma política mais rígida de implantação de cursos de Medicina e de Direito. A portaria 147, de 2 de fevereiro, exige estudos complementares aos processos que já estavam sendo analisados pelo ministério. “Instalações físicas, corpo docente e projeto pedagógico são analisados”, explica o diretor do departamento da Secretaria de Ensino Superior do MEC, professor Mário Pederneiras. Por isso, as escolas visitadas antes da portaria estão passando por uma nova análise. Só após o parecer definitivo do ministério, é que as universidades podem abrir novas vagas no vestibular.

“Se o MEC nos autorizasse a abrir o curso amanhã, nós abriríamos”, afirma o presidente da mantenedora da Faculdade União das Américas (Uniamérica), em Foz do Iguaçu, Fouad Mohamad Fakit. Com apenas seis anos, a faculdade possui 14 cursos de graduação e convênios com hospitais. O pedido para abertura do curso foi protocolado ainda em 2003. Fakit argumenta que tem o apoio da classe médica local e que sempre defendeu a instalação de um curso de Medicina na região, não necessariamente na faculdade por ele administrada. “É pela necessidade do curso mesmo”, resume.

Hospital

A 143 quilômetros dali, a Faculdade Assis Gurgacz (FAG), de Cascavel, pleiteia o curso, com um forte argumento: a construção de um hospital universitário. Embora ele não seja exigido pelo MEC, o hospital daria suporte ao funcionamento do curso. “Assim que o MEC autorizar o curso nós iniciamos a construção do hospital, que deve ficar pronto em um ano e meio”, aponta a diretora administrativa da FAG, Jaqueline Gurgacz Ferreira. A faculdade tem sete anos e oferece 20 cursos de graduação. O curso de Medicina seria uma opção a mais para os vestibulandos, que já têm à disposição o mesmo curso na Universidade Estadual do Oeste (Unioeste).

Outra cidade do interior que deseja formar médicos é Ponta Grossa. As Faculdades Integradas Cescage aguardam uma resposta do MEC desde 2005. “Estamos atendendo a todas as exigências da portaria”, comenta a coordenadora de Educação Superior do Cescage, Jeanete de Souza. A instituição já tem cursos na área de saúde e convênios com hospitais. Se for aprovado, o Cescage terá o primeiro curso de Medicina da cidade já que, em maio de 2003, o governador Roberto Requião determinou o fechamento do curso ofertado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) alegando falta de estrutura. Com a construção do Hospital Regional dentro do câmpus da instituição, existe a esperança de que o curso seja reaberto, embora não haja confirmação do governo estadual.

Curitiba, que já conta com quatro cursos de Medicina que ofertam anualmente 512 vagas, pode ganhar mais uma escola. A Uniandrade foi visitada nesta semana pelos consultores do MEC e o reitor José Campos de Andrade está otimista. “Temos instalações privilegiadas e atendemos a todos os requisitos do Ministério”, diz. Para atender os alunos com qualidade, segundo ele, a instituição está requisitando 30 vagas semestrais. O reitor não considera que o meio está saturado na capital nem no restante do estado. “O conceito de muito e pouco curso é relativo porque há cidades que estão sem médicos”, analisa.

Dos 399 municípios paranaenses, 82 não possuem médicos que residem na própria cidade, conforme dados do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná. No entanto, explica o Conselho, isso não significa que essas cidades estão desassistidas, pois há médicos que se deslocam para prestar atendimentos. A distribuição dos 16.260 médicos ainda é desigual. Do total de médicos na ativa, 7.640 estão em Curitiba. Para o ex-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Antônio Celso Nunes Nassif, os médicos procuram os grandes centros porque têm chance de se especializar em suas necessidades profissionais.

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quarta-feira, maio 02, 2007

Seção Lendas Curitibanas - Inri Cristo



Para iniciar a nossa seção "Lendas Curitibanas", nada melhor que mostrar uma das maiores lendas (senão a maior lenda) que circulava até pouco tempo atrás nas ruas de Curitiba: Inri Cristo. Nascido em Indaial (SC), Inri Cristo é uma figura que acredita piamente que é a reencarnação de Jesus Cristo. Reza a "lenda" que ele teria tido essa revelação quando estava em "trânsito" em Santiago de Chile, tendo uma visão do Apocalipse e a "revelação" de que seria o Cristo Reencarnado, que viria trazer a redenção à humanidade. Para mostrar tal "missão", Inri invadiu uma igreja em Bélem (no Pará, não na Palestina) e arrancou a imagem do Cristo crucificado da cruz da igreja, vindo a afirmar que Deus tinha apontado o dedo pra ele e falado: "esse é o cara" (qualquer semelhança com o Romário é mera coincidência blogistica). Desde então, fundou a sua igreja, a SOUST (Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade), na qual reúne pouco mais de uma dezena de seguidores (que andam vestidos de apóstolos e marias, tais quais na época do Cristo) disseminado o seu "retorno". Se Inri ainda não convenceu as pessoas de que é o Cristo, ao menos já ganhou bastante popularidade em programas de humor, notadamente nas discussões estapafúrdias da Luciana Gimenez e nas tirações de sarro da Turma do Pânico. Pena que se mudou de Curitiba, indo fixar residência em Brasília. Infelizmente, Curitiba perdeu uma de suas maiores lendas. Nesse vídeo, o "mestre" faz o sermão do apocalipse e, ao final, faz a sua famosa prece "Ó PPPai". Divirtam-se!

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Pegadinhas do Silvio Santos - Caveira no Táxi (Original)



Caros amigos,

Essa é a pegadinha "original" da Caveira no Sílvio Santos. A idéia era colocar uma caveira de taxista para pregar peças nos pedestres que circulavam em torno do cemitério. Como a pegadinha da "motorcicleta", foi um susto atrás do outro. Destaque também para os comentários e risadas do Highlander Silvio Santos (que já compete pau-a-pau com a Dercy Gonçalves e com a Hebe Camargo pelo Bolão Pé-na-Cova). Mais uma vez, garantia de boas risadas.

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terça-feira, maio 01, 2007

Deficiência do Ensino Médico: a quem interessa?

Caros amigos,

Eu, como formando de medicina, não podia aqui deixar de registrar algumas considerações sobre o ensino médico do Brasil. Com 6 anos de faculdade pude testemunhar muitas coisas durante a minha formação médica. Como todos os alunos de Medicina, tive a percepção de que faltou muita coisa durante a formação, principalmente nas chamadas cadeiras clínicas e no período do Internato (período de estágio, de duração de 1 ano a 3 anos, dependendo da faculdade). O fato é que, nos últimos anos, vem se observando uma avalanche de abertura de cursos de Medicina (principalmente de faculdades particulares) em todos os cantos do Brasil, sem critério educacional algum e até sem hospitais-escola preparados e reconhecidos pelo MEC e pelo Ministério da Saúde para tal finalidade. Juntando a esse problema, observamos um sucateamento dos tradicionais cursos de Medicina do País, associado com o crescimento dos chamados "cursinhos pré-residência": uma espécie de cursinho pré-vestibular voltado para a preparação para as provas de residência médica, montados por professores de universidades públicas e privadas, médicos e ex-componentes de bancas de provas de residência.

A tentativa do MEC de alterar a prova de residência (diminuindo para 50% o peso da prova teórica) foi inócua no sentido de restringir o crescimento desses cursinhos. Muito pelo contrário: essas instituições cada vez mais ganham força e presença dentro da comunidade médica, devido exatamente ao caos instalado no ensino médico. A conseqüência imediata dessa proliferação é o detrimento da formação humanística e filosófica essencial ao profissional médico, refletindo sobremaneira no contato médico-paciente. A forma didática dos cursinhos ministrarem suas aulas são baseadas apenas na resolução das tais "provas teóricas da residência", deixando de lado a formação humanística, que seria obrigação da faculdade. É como se a baixa qualidade das faculdades fosse uma bola de neve, que cria cada vez mais problemas à medida que vai se passando o tempo na carreira dos jovens médicos. Muitas pessoas que já precisaram de assistência médica nas Unidades de Saúde, tanto as convencionais como as de urgência, relatam que grande parte dos problemas de atendimento decorrem da falta de profissionalismo e preparo de atendimento ao público dos profissionais médicos. Aí, fica a questão: será que o problema do Ensino Médico é tão somente a falta de recursos didáticos e financeiros das universidades, ou há outros interesses permeando essa situação?

Outra questão grave são as vagas de residência. Em reportagem do Estado de S. Paulo sobre o crescimento dos cursinhos pré-residência, coloca-se que cerca de 9 mil médicos estão chegando ao mercado de trabalho anualmente (dados de 2005). O que surpreende é que, de acordo com o MEC (http://mecsrv04.mec.gov.br/sesu/SIST_CNRM/APPS/cons_res_inst.asp), existem 9.900 vagas de residência de primeiro ano (R1) no Brasil, ou seja, teoricamente há vagas suficientes para abrigar todos os formandos que estejam saindo da faculdade. Aí, entra outra questão: porque então há tantos médicos que não conseguem vagas na residência? A reportagem coloca que os especialistas no assunto apontam a desproporção regional de tais vagas, bem como a concentração de candidatos em poucas especialidades (Dermatologia, Radiologia, Clínica Médica), como causas desse acúmulo de vagas. Outras causas são o interesse dos médicos em permanecer nos grandes centros, a falta de interesse e estímulo em buscar oportunidades no interior do País, a deficiência do ensino médico (mais uma vez!) no ponto de vista de formação humana e social, entre outras causas. Em resumo, todos esses fatores acabam agindo em um dos grandes problemas da saúde no Brasil: a falta crônica de médicos clínicos gerais e médicos de medicina comunitária em localidades carentes, sendo que a residência de Medicina de Família e Comunitária conta com 571 vagas autorizadas pelo MEC em 2007, porém o preenchimento dessas vagas não chega a 50% do total.

Para ilustrar toda a questão, irei postar duas reportagens que colocam essa questão em foco. A primeira foi publicada no Jornal do Cremesp, em março de 2002. A reportagem seguinte foi publicada no Estadão do dia 16/12/2006, a qual já citamos anteriormente para comentar acerca da questão das vagas. Espero que os colegas médicos e os usuários dos serviçoes de saúde tirem suas reflexões acerca do assunto e possam analisar de maneira mais apurada o quadro de saúde instalado em nossa nação.

Reportagem do CREMESP (http://www.cremesp.org.br/crmonline/jornalcrm/175/ensinomedico_0302.htm)


Entidades criticam “cursinhos” de Residência

O déficit de vagas para residência médica no Estado de São Paulo fez crescer a oferta de um tipo de serviço que preocupa as entidades médicas e especialistas. São os cursos preparatórios para provas de residência médica, que funcionam nos moldes dos cursinhos pré-vestibulares, têm fins lucrativos e oferecem aulas intensivas, apostilas e exercícios simulados.

Os programas de residência são hoje um prolongamento quase obrigatório do processo de formação básica. Apesar do crescimento das oportunidades nos últimos anos, o número de vagas da residência médica atende pouco mais de 70% dos cerca de 8.000 médicos que se formam anualmente no país. Destes, a metade dirige-se a São Paulo em busca de uma vaga de residência, situação que acabou despertando o interesse de empresários da educação.

A procura pela residência não é uniforme para todas as especialidades. Segundo Pedro Sampaio, presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes, “a procura maior acaba sendo para aquelas que dão um maior retorno financeiro, como dermatologia e otorrinolaringologia. Em contrapartida, há um excedente em áreas como pediatria ou para atuar no serviço público de saúde”.

Os cursinhos

A empresa Medcurso, que atua no Rio de Janeiro, acaba de abrir uma filial em São Paulo, com aulas aos domingos, das 15h às 20h, e mensalidade de R$ 295,00. Para impressionar, afirma contar com professores de escolas renomadas e com ex-integrantes de bancas de avaliação dos candidatos. “Não há intenção de preencher lacunas no currículo ou de ensinar medicina, mas sim de sedimentar conhecimentos já adquiridos”, defende o coordenador da Medcurso, Cássio Engel. “O curso acaba sendo um instrumento de democratização do ensino, proporcionando ao aluno um conhecimento teórico que ele não terá durante a residência; além de ajudar no Provão do MEC. Existem até professores que fazem reciclagem conosco”, completa.

Outro curso, o Attent, sediado em São Paulo, oferece os formatos de intensivo, em quatro dias, e extensivo, em seis dias, sempre no horário das 8h às 18h. Para 2002, o início das aulas e o preço ainda não estavam definidos. Além desses dois cursos, existem também em São Paulo empresas especializadas na confecção de apostilas para provas de residência, que são comercializadas por telefone e pela Internet.

Para a secretária executiva da Comissão Nacional de Residência Médica do MEC, Vera Lúcia Vilar de Araújo, “não compete ao MEC, pelo menos neste momento, opinar sobre a questão, pois seria o mesmo que as faculdades interferirem nos cursos pré-vestibulares.”

REPERCUSSÃO

“É inadmissível esse tipo de exploração, que vem somar-se aos muitos problemas do ensino médico. É sinal de que devemos reforçar ainda mais o trabalho da Cinaem/São Paulo, comprometida com o processo de avaliação permanente das escolas, feito conjuntamente por entidades médicas, alunos, professores e gestores de cada escola. Estamos empenhados em impedir a abertura de novos cursos de medicina, formar o médico com competência para atender as demandas da população e assegurar boas condições de trabalho e remuneração.” Regina Ribeiro Parizi Carvalho, presidente do Cremesp

“A existência desses cursos reflete a falência do ensino médico, tanto na graduação quanto na especialização da residência. A falha também está na elaboração dos concursos de residência, que priorizam o conhecimento técnico, testam apenas a memória e não a habilidade do candidato, o que acaba sendo explorado pelos cursinhos preparatórios”. Regina Celes de Rosa Stella, presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem).

“É mais um caso de mercantilização do ensino, de empresas que têm finalidade puramente lucrativa. É hora da Comissão Nacional de Residência Médica rever seus procedimentos, pois ainda faz uma seleção onde 90% da prova é de conhecimentos e somente 10% compreende entrevista e avaliação do currículo do aluno. Isso fere a lei de diretrizes e bases que permite a autonomia das instituições em adequar seus exames de admissão. E ao comprometer seu tempo com esses cursinhos, o estudante fica prejudicado no internato. Milton Arruda Martins, professor de Clínica Médica da USP.

“É mais um indicador das deficiências do ensino médico nas faculdades. O médico que opta por esse tipo de curso, geralmente é proveniente de uma escola ruim e muitas vezes nem está preparado para a prática médica. Não será um curso intensivo que vai suprir a má formação”. Pedro Sampaio, presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR).

“É necessário discutir uma forma de barrar a proliferação desses cursos em São Paulo, já comuns no Rio de Janeiro. Aqui na USP a maioria dos estudantes é contra. Quem tem a obrigação de preparar para a residência é a escola.” Francisco Mogadouro da Cunha, do centro acadêmico da Faculdade de Medicina da USP e coordenador regional da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (Denem).


Reportagem do Estado de S. Paulo
(http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/noticias_detalhe.cfm?co_seq_noticia=28446)


Cursinhos se especializam em candidatos à residência médica - 16/12/2006

Emilio Sant'Anna

Foram três anos de cursinho pré-vestibular. Seis anos de graduação na Universidade de Santo Amaro (Unisa), em São Paulo, e, desde o começo de 2006, mais dez meses de cursinho preparatório para a prova de residência em Oftalmologia. O médico recém-formado Alan Barreira, de 25 anos, seguiu uma tendência cada vez mais comum entre os estudantes de Medicina: dividir o tempo de estudo entre os plantões, nos dois últimos anos de faculdade, e um curso especializado em aprovar alunos nos exames das principais faculdades e hospitais do País.

A residência é um dos caminhos da especialização para o médico. O outro é fazer a prova das sociedades e associações de especialidades médicas. As residências mais concorridas costumam ser as de dermatologia (130 candidatos a 6 vagas na Unifesp, por exemplo), ortopedia (80 disputando 5 vagas também na Unifesp), oftalmologia e clínica médica. "Valeu a pena fazer o cursinho, mas não é isso que vai decidir o sucesso", diz Barreira. "O importante é ter feito um bom internato (os últimos anos da faculdade)."

Pelo menos três grandes cursos - MedCel, SJT e MedCurso - já têm suas filiais espalhadas por todo o País. O primeiro tem ainda unidades em Santa Cruz de La Sierra e Cochabamba, na Bolívia, destino de muitos alunos brasileiros que fazem graduação no exterior. As aulas acontecem normalmente durante os finais de semana e contam com atividades online, além de serem transmitidas via satélite para as unidades mais distantes. O curso dura um ano e custa entre R$ 350 e R$ 500.

"Temos 52 unidades em todo o País, e outras 20 aptas a receber as aulas. Basta haver a demanda e estaremos lá", diz Atílio Gustavo Blanco Barbosa, diretor do MedCel. O SJT também tem planos de expandir suas 22 filiais no País. O curso, aberto há oito anos em São Paulo, tem cerca de 2.800 alunos e deve englobar mais dez unidades em 2007. "O curso é uma revisão da faculdade", diz o coordenador pedagógico do SJT, Raimundo Araújo Gama. "O aluno entra na faculdade com 17 anos e aqui tem o resgate de uma série de perdas que teve durante o curso." A direção da MedCurso foi procurada pela reportagem, mas não retornou as ligações.

DICAS PARA PASSAR NA PROVA

Apesar do sucesso dessas empresas, a opinião da maioria das faculdades sobre elas é desfavorável. "Não é uma atividade ilegal, mas é moralmente questionável", diz Maria do Patrocínio Tenório Nunes, coordenadora de Residência Médica da Faculdade de Medicina da USP. Ela questiona a presença de professores das universidades públicas nesses cursinhos. "Se eu aprendo todas as técnicas e metodologia de ensino em uma instituição pública, é ético cobrar por isso?", pergunta.

A opinião do coordenador do exame de residência da Universidade Federal Paulista, Flávio Faloppa, não é diferente. Preocupados em passar na prova, os alunos deixam as atividades da faculdade de lado. "A formação humanística vem através do dia-a-dia, da relação médico-paciente", diz. "Isso não se aprende nos cursinhos."

Um absurdo. Essa é a definição do secretário executivo da Comissão Nacional de Residência Médica do Ministério da Educação, Antônio Carlos Lopes, para o crescimento dos cursinhos preparatórios para provas das especialidades médicas.

A expansão, segundo ele, é reflexo da fragilidade de alguns cursos de Medicina. O aluno deixa de aprender onde deveria e tem de recorrer aos cursinhos. "Eles são uma ferramenta de exclusão social", diz. "Quem tem dinheiro pode pagar e receber uma série de dicas para passar nas provas que não têm o exame prático."

O exame a que Lopes se refere vem sendo adotado pelas universidades como forma de selecionar melhor os alunos e como desestímulo aos cursinhos. A primeira prova a adotar o exame prático foi a da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo.

Há quatro anos, o exame era só com questões de múltipla escolha. Um ano depois incluiu as questões dissertativas. Hoje, essas questões têm peso 5. A parte prática, 4, e a entrevista, 1. "Concluímos que as provas de múltipla escolha são inadequadas para avaliar o conhecimento médico", diz Maria do Patrocínio Tenório Nunes. "São questões sem margem para interpretação."

MAL NECESSÁRIO

Para os alunos, no entanto, os cursinhos parecem continuar sendo um mal necessário. "É lamentável a proliferação dos cursinhos", conta a médica Andréia de Almeida Tamega, formada há três anos pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). "Mas as provas não condizem com nosso internato."
A própria Andréia não escapou. Após se formar, ingressou na residência em Saúde Pública. No último dos três anos da especialização começou a fazer o cursinho para prestar a prova para dermatologia. Agora está no primeiro ano de sua segunda residência. "Hoje, as pessoas não estudam mais pelos livros acadêmicos e sim pelas apostilas desses cursos", revela.

NÚMEROS

9.113 formandos em Medicina chegaram ao mercado em 2005. Depois de seis anos de faculdade, tornam-se clínicos gerais e a maior parte irá tentar se tornar especialista em alguma área. A prova de residência médica é a forma mais indicada para isso
17.861 vagas de residência médica são oferecidas todos os anos, em média. Os números são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) do Ministério da Educação (MEC). Apesar de ser superior ao número de formandos por ano, especialistas apontam insuficiências como a alta concentração regional
149 cursos de Medicina estão espalhados pelo Brasil. Destes, 39 são federais, 24 estaduais, 6 municipais, 34 particulares e 46 filantrópicos
29 cursos de Medicina são oferecidos no Estado de São Paulo. Isso corresponde a quase 20% do total

O Estado de S.Paulo
16/12/2006

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segunda-feira, abril 30, 2007

Ayrton Senna do Brasil - Volta de Placa



Para terminarmos a nossa sessão de vídeos em homenagem a Ayrton Senna, nada melhor que a mais pura amostra de talento do piloto brasileiro: a "Volta de Placa" em Donington 1993, onde o brasileiro, com um carro inferior aos demais principais concorrentes, consegue passar 5 (isso mesmo, cinco!) carros na primeira volta. Um feito digno de um gênio. Como Pelé, que na década de 60 marcou um golaço no Maracanã que foi digno de uma placa, e deu origem ao termo "Gol de Placa", Senna também foi homenageado, após esse GP, com uma placa comemorativa de seu feito. Um feito fantástico, sem sobra de dúvidas. Genial!

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Ayrton Senna do Brasil - Vitória Brasil 1991



Faltava uma conquista na galeria de Senna. Bicampeão mundial, melhor piloto inconteste da Fórmula 1, recordista de pole-positions, faltava apenas a vitória em casa. Uma série de azares nos anos anteriores (comparáveis a um certo barbeiro denominado Rubinho Pé-de-Chinelo) atazanava Ayrton no Brasil. No ano anterior, com a corrida sob controle, Nakajima (o japa, o mito, a lenda) aparece na frente do bicampeão e acaba com o sonho da primeira vitória em Interlagos. Mas em 1991 parece que tudo se encaminhava para a queda do tabu: Mansell havia rodado no Pinheirinho, a chuva tinha caído na hora certa, e o carro vinha rendendo bem. Vinha, porque nas voltas finais as marchas começam a "sumir": primeiro a terceira, depois a quarta, daí a segunda e a primeira até restar somente a 6ª marcha. Nas 10 voltas finais Senna é obrigado a andar apenas com a 6ª marcha. E, apesar do esforço extrema, Ayrton segura de forma sobrenatural o carro na pista e consegue quebrar o tabu: vence no Brasil, para delírio da torcida tupiniquim. Nelson Piquet, velho rival de Ayrton, não consegue acreditar no milagre que havia sido operado. Mas, por mais surreal que possa parecer, Ayrton domou o carro e o levou para a vitória. A mais suada vitória, literalmente, da história da Fórmula 1.

Ayrton Senna do Brasil - Campeão Mundial 1988



O talento consolidado. Depois de penar 3 anos na Lotus, Senna finalmente vai lutar de igual para igual com os seus grandes rivais, Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet. Na McLaren Honda Turbo de 1988, o melhor carro jamais construído (melhor inclusive que as fantásticas Ferrari de 2002 e 2004 e a Williams de 1992), Senna estabelece um recorde assombroso naquele ano: vence 8 das 16 corridas (feito que só viria a ser superado mais tarde por Mansell em 1992 e Schumacher em 2002 e 2004) e conquista, em cima do seu companheiro e bicampeão Alain Prost (qualquer semelhança de Prost-1988 com Alonso-2007 é mera coincidência automobilística), o seu primeiro campeonato mundial. O fantástico dessa prova foi a incrível recuperação de Senna, que caiu para 16º lugar na primeira volta e foi ultrapassando, um por um, seus concorrentes até superar Prost e vencer com autoridade o GP do Japão. Mais um feito extraordinário do grande gênio da Fórmula 1.

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Ayrton Senna do Brasil - Vitória em Portugal 1985



Tinha que ser no molhado. Depois do show em Monaco 1984 (em que teve a vitória roubada por Jacky Icyx), Senna mostra novamente porque viria a ser conhecido como o "Rei da Chuva". Em sua segunda corrida pela Lotus, dá um show, coloca 1 minuto no segundo colocado e vence com autoridade o GP de Portugal. A primeira das 41 vitórias, recorde absoluto de vitórias entre os pilotos brasileiros e a 3ª melhor marca absoluta da Fórmula 1. Um gênio em nascimento.

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Ayrton Senna do Brasil - Parte I



Dia 1º de maio, além de ser a data internacional do Trabalho, é marcada pela maior tragédia da história da Fórmula 1: a morte do piloto mais talentoso de sua história, Ayrton Senna. Apesar de não ser o recordista absoluto de marcas na categoria, Senna é considerado o maior piloto de todos os tempos pelo arrojo e pela competência ao volante. Ficou marcado por ser um piloto que procurava a perfeição em cada curva e em cada reta, além de deter um carisma que foi inigualável na história da F1. Sua morte, além de chocar o Brasil e o mundo, trouxe uma lacuna para a maior categoria do automobilismo mundial. O talento de Michael Schumacher não foi suficiente para que se apagasse as memoráveis apresentações de Senna: o show na chuva em Mônaco 84; a primeira vitória no Estoril 85; a espetacular pole-position em Monaco 88 (maior diferença já registrada entre o pole e o 2º colocado, mais de 1.5 segundo); os títulos de 88, 90 e 91; as vitórias no Brasil em 91 e 93 e o show na chuva em Donington 93. Atuações memoráveis do maior talento que o automobilismo mundial já pode testemunhar.

Prestaremos uma homenagem ao piloto brasileiro nesses 13 anos de lembrança de seu falecimento publicando alguns vídeos de suas maiores atuações na Fórmula 1. O primeiro vídeo mostra os primeiros testes de Ayrton na Fórmula 1, a bordo da Williams, da McLaren e da Toleman (que viria a ser a sua primeira equipe). Interessante notar que Ayrton já impressionou os grandes chefes da F1 "de cara", mostrando que era realmente um talento fora-de-série.

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