Tropa de Elite: genialidade no cinema e crítica social contundente
Esse final de semana, depois da maior operação de pirataria da história do cinema (já havia cópias circulando cerca de 2 meses antes da estréia oficial), estreou Tropa de Elite, um dos melhores filmes já feitos no cinema nacional. Estrelado por Wagner Moura (conhecido por seus papéis em JK e na novela Paraíso Tropical), o filme mostra a intimidade do Batalhão de Operações Especiais, o BOPE, uma espécie de tropa especial da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Mais do que mostrar a intimidade e o ambiente da polícia, Tropa de Elite introduz a discussão profunda do dilema do tráfico de drogas, desmistificando o discurso de que o cerne do problema são os traficantes e a falta de policiamento. Como no mercado normal, só há oferta porque existe demanda. E a questão, na droga, é que só há tráfico, traficante e arma no morro porque existe uma meia dúzia de playboys e desocupados da classe média que consomem drogas ilícitas. Ao colocar Foucault na discussão (na cena da aula na faculdade de Direito), o filme também faz uma reflexão sobre o nosso sistema prisional e nosso sistema penal, atrasado e que só privilegia o PhD da ladroagem. A grande mensagem do filme é que "uma sociedade corrupta e conivente cria o ambiente para que o tráfico, a bandidagem e o animalismo tomem conta da sociedade". Aí, fica a questão, quem são os culpados? Os políticos corruptos, eleitos por pessoas alienadas e que "não gostam de política"? Os traficantes, sustentados pelo vício e pela burrice dos playboys? Ou nós mesmos, por nos omitirmos e deixarmos que a alienação crie o ambiente propício para o desmantelamento da sociedade?
Fica a dica para que, quem tiver oportunidade, que veja Tropa de Elite. Sua visão de sociedade jamais será a mesma.
Fica a dica para que, quem tiver oportunidade, que veja Tropa de Elite. Sua visão de sociedade jamais será a mesma.
Marcadores: BOPE, cinema, drogas, favela, Michel Foucault, tráfico, Tropa de Elite, Wagner Moura

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