Blog do René Santos Neto

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Local: Curitiba, Brazil

Médico, de centro-esquerda, coxa-branca, palestrino e ferrarista.

sábado, maio 12, 2007

Rubinho Tartaruga: "homenagem" histórica

E para completar a "série" de homenagens ao 2º melhor 2º piloto da história da Fórmula 1, outra lembrança no mínimo sórdida: fazem exatos 5 anos que Rubinho Tartaruga protagonizou uma das maiores lambanças, senão a maior, da história da F1: a entrega da vitória para Michael Schumacher na Austria. Foi o espetáculo mais deplorável de 57 anos de história da categoria, protagonizado de forma bizarra e inexplicável (afinal, Schumacher liderava o campeonato com quase 40 pontos de diferença em relação a seu irmão). Não havia a mínima necessidade da Ferrari apinhar Rubens da vitória naquele momento. Uma mancha vergonhosa na história da maior equipe da F1. E a comprovação indubitável de que Rubens Barrichello havia nascido para ser 2º piloto eterno. O grande erro dele foi não ter assumido esse papel desde o início. Tentou se utilizar do ufanismo galvanista e cunhar expressões como "piloto 1B", "sou mais um brasileirinho nesse mundão" e tantas outras bobagens ditas pelo Patolino para justificar o injustificável. Rubinho teria ficado melhor na história da F1 se tivesse admitido que era segundo piloto. Riccardo Patrese e Gerhard Berger fizeram isso e são reconhecidos como bons pilotos. Já Rubens...

A parte hilária e trágica do vídeo da Austria-2002 é a narração de Cléber Machado, até hoje alvo das mais variadas gozações. Triste e cômico ao mesmo tempo.

"Hoje não, hoje não! Hoje sim... Hoje sim?"


GP da Austria - 12/05/2002

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Rubinho Tartaruga: nem a Globo perdoa

O fim de semana começou verde-e-amarelo: Massa, ao melhor estilo Ayrton Senna, roubou a pole e tirou o gostinho de Alonso de fazer a pole diante de sua torcida. Amanhã, se conseguir virar a primeira curva na frente, vai faturar. Afinal, na F1 de hoje, com essa história de fabricante único de pneus, aboliram-se as ultrapassagens. Virou um campeonato de poles e largadas. Quem for melhor nos treinos e souber largar melhor ganha. Simples assim.

Mas, na minha busca por informações da pole do Massa, achei algo no mínimo engraçado e inusitado. Nessa sexta o site Globo.com lançou um joguinho online homenageando o Massa. O objetivo do jogo é ajudar o piloto ferrarista a vencer o campeonato, ultrapassando os concorrentes e se desviando dos problemas na pista. O lance inusitado é o primeiro piloto a ser ultrapassado pelo Felipe no jogo: um sujeito com um capacete branco, vermelho e azul, pilotando um carro-tartaruga soltando oléo pelo escapamento. Qualquer semelhança entre o Rubens Patolino e o tal piloto do joguinho é mera coincidência galvanística...

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sexta-feira, maio 11, 2007

Para refletir

"Acredito que o objetivo da nossa vida seja a busca da felicidade. Isso está claro. Quer se acredite em religião ou não, quer se acredite nesta religião ou naquela, todos nós buscamos algo melhor na vida. Portanto, acho que a motivação da nossa vida é a felicidade."

Tenzin Gyatso - O Dalai Lama

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Segundona: o que esperar do Coritiba

Juntamente com o início da Primeira Divisão, teremos o início da Série B e do recomeço do calvário do Glorioso. Devido a sua diretoria corrupta, incompetente e safada, o Glorioso permanece na Série B em 2007. Não bastasse, a falta total de profissionalismo e preparo da diretoria protagonizou nos últimos dias, com a comédia das dispensas (teve jogador que sequer jogou um jogo e foi dispensado) e das contratações (negociações atrapalhadas, vazamento de notícias para a imprensa, fora os "chapéus" que o Dr. Vialle tomou nas negociações com alguns jogadores do interior). Nada surpreendente se lembrarmos que a diretoria é composta por um Presidente que deixou um rombo de R$ 30 bilhões no esquema do finado Banestado e por um Diretor de Futebol que ficou conhecido por ter comprado o goleiro do Iraty no quadrangular final do Paranaense de 1998.

Dói muito na nossa alma coxa-branca ver a forma como esses atleticanos estão administrando o Clube. E digo atleticanos porque jamais alguém que fosse torcedor do Coritiba agiria como esses safados agem. Nem Mário Celso Petraglia seria tão maquiavélico a ponto de derrubar o Coritiba no campo para a Segundona, contratar "craques da bola" como Ludemar, Guaru, Geraldo, Marcelo Mendes e tantos outros perebas que conseguiram superar os sombrios tempos de Cruvinel, Toninho Cajuru e Jétson.

A estréia amanhã será permeada de incertezas: estréia de um bando de jogadores comprados no atacado, um técnico limitadíssimo, a falta completa de um padrão de jogo e um adversário bem acertado, inclusive que conta com um craque no elenco (Rodrigo Fabri). Se o Coritiba sair com um resultado positivo já terá operado um milagre diante da situação atual do clube. A minha análise de torcedor é de que se o Coritiba permanecer na Segundona (!!!) já será um grande feito para o Clube. Sonhar com a Primeira Divisão, com os Três Patetas (GG, Vialle e Macuglia) no comando, só se acontecer um milagre daqules...

Vamos cumprir nosso papel de torcedor e acreditar. Vamos ver se o nome desse filme muda de "À Espera por um Milagre" por "A Luta pela Esperança". Afinal, a esperança é a última que morre. Apesar que, no caso do Glorioso, ela já esteja na UTI...

Saudações Alviverdes!

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Galvanices - O futuro de Michael Schumacher

Galvão Bueno, o locutor-mor da Poderosa, é conhecidíssimo por seu ufanismo e sua tremenda falta de noção. Mais do que isso, tem uma capacidade incrível e quase divina de fazer suas bobagens se multiplicarem. Muito bem. Em busca no YouTube, encontramos uma cena no mínimo tosca: Galvão Bueno, indignado com a demissão dos brasileiros Nélson Piquet e Roberto Moreno da Bennetton em 1991, desce a lenha em um novato. Esculacha o cara, fala que não vai dar em nada na outra temporada, que vão gastar dinheiro em nada e por aí vai. Quem era o "rookie"? Um tal de Michael Schumacher...

Pai Galvão e suas previsões certeiras...

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E vai começar o Brasileirão

E vai começar o Brasileiro. Maior competição de clubes do País, o Brasileiro nasceu na década de 60, como Taça Brasil, que era uma competição nos moldes da atual Copa do Brasil que indicava o representante brasileiro na Libertadores. Com o passar do tempo, surgiu o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, que se aproximava do modelo que viria a ser estabelecido mais tarde. Em 71, disputa-se o primeiro Campeonato Nacional, com o título do Galo. O campeonato consolida-se no cenário nacional e, em 2003, segue o modelo europeu e adota o modelo de pontos corridos. Em 2007, mais uma vez a competição tenderá a ser marcada pelo equilíbrio, pelo "roubo" de jogadores para times estrangeiros e pela completa imprevisibilidade. Pois bem, "tentaremos" dar uma de Pai Ambrósio e prever alguns cenários para os clubes que estão na disputa. Vamos às "tentativas":

Candidatos ao título

São Paulo - Os "bambis" são sempre favoritos; contam com a melhor estrutura de clubes do Brasil, com o melhor elenco, com um dos melhores técnicos e é o atual campeão. Porém, isso não basta para eles tentarem o Penta. As eliminações no Paulista e na Libertadores mostra que não basta ser o melhor: tem que provar em campo essa condição.

Santos - Os "lambaris" contam com o melhor treinador do Brasil (Luxemburgo), com um grande elenco, uma boa estrutura e um excelente momento (bicampeão paulista e boa campanha na Libertadores). Mas ano passado a situação era semelhante na Vila e nada deu certo para o Peixe. Cabe ao Marrento Luxa e seus comandados comprovarem o contrário.

Grêmio - O time da raça é favorito à taça pelo espírito de grupo, pelo elenco bem-montado e pelo treinador competente. Tem um time limitado mas acostumado a grandes disputas. Corre por fora. Mas é favoritíssimo à vaga na Libertadores.

Botafogo - Outro time bem-montado, com um bom treinador. Levou azar no Carioca. Tem um bom elenco e vem bem na Copa do Brasil (é favorito ao título, inclusive). Como o Grêmio, corre por fora. É outro favorito à vaga na Libertadores.

Atlético-MG - Vem animado pela surra que deu no Cruzeiro no Campeonato Mineiro. Tem um time jovem, bem entrosado e com grande motivação por ter voltado à Primeira Divisão. Corre por fora pelo título, mas tem grandes chances de beliscar uma vaga na Libertadores. A saída de Levir Culpi pode causar uma queda de desempenho nas primeiras rodadas.

Candidatos à Libertadores

Palmeiras - O Palestra Itália fez um Campeonato Paulista irregular, alternando grandes atuações com vexames inexplicáveis. Conta com um bom técnico, um elenco regular e um pré-acerto de elenco. Não tem bala na agulha para bater de frente com os favoritos no primeiro momento do campeonato. Pode surpreender se o Caio conseguir dar padrão de jogo ao time. Tem chances de beliscar uma Libertadores.

Internacional - O campeão mundial sofreu uma queda inexplicável no 1º semestre: caiu na primeira fase do Gaúcho e da Libertadores. Tem um bom elenco, mas parece que ficou contaminado com a euforia do Mundial. Mudou o treinador, o que pode atrapalhar no começo da temporada. Mas tem tradição e sabe jogar campeonato de pontos corridos. Vai dar trabalho. Favoritíssimo à vaga na Libertadores.

Cruzeiro - Levou uma tunda histórica do Galo no Mineiro. Contratou um bom treinador, tem um bom elenco. A tendência é se consolidar como candidato à uma vaga na Libertadores. Se conseguir mostrar mais do que isso, pode correr por fora na disputa do título. Um time a ser observado.

Flamengo - O campeão carioca tem um time até que bem acertado. É limitado tecnicamente, mas tem um bom treinador e vem animado, apesar da desclassificação na Libertadores. Vai ficar na briga da Libertadores. Se conseguir embalar, é candidato ao título pela força da torcida.

Figueirense - Pode ser a surpresa. Se recuperou no segundo turno do Catarinense, depois do começo desastroso. Está fazendo bonito na Copa do Brasil. Tem um elenco jovem e uma estrutura de clube boa, responsável pelo seu crescimento nos últimos anos. Perdeu a vaga na Libertadores no ano passado no apagar das luzes. Dessa vez pode ser que não escape.

Candidatos à Sulamericana

Sport - O campeão pernambucano conta com um bom time e tem a animação da volta à Primeira Divisão. Sempre é forte na Ilha do Retiro. Pode ser uma pedra no sapato dos grandes clubes. O primeiro objetivo é fugir do rebaixamento. Se conseguir se estabelecer, a Sulamericana será uma boa recompensa.

Fluminense - Depois de um Carioca horrososo, o Flu parece que começou a achar seu caminho. Contratou o competente Renato Portaluppi e se achou na Copa do Brasil. Tem um bom elenco, só precisa de padrão de jogo. A Sulamericana é uma meta possível nas condições atuais. Se embalar, pode brigar por Libertadores.

Paraná - O vice-campeão paranaense fez um papel honroso na Libertadores: foi eliminado com raça e devido ao apito amigo do Caixa D´Agua da Conmebol, o Sr. Nicolas Leóz, patrono do Libertad do Paraguai. Tem um time razoável, com um excelente técnico. Não tem a mesma constância que o levou à Libertadores ano passado, mas briga para disputar uma vaga na Sulamericana.

Juventude - O vice-campeão gaúcho conta com um excelente técnico e um elenco bem acertado. Não é um primor de time, mas não vai brigar por rebaixamento, a não ser que o apito amigo corinthiano apareça. Se as coisas seguirem a normalidade, briga por uma vaga na Sulamericana.

Candidatos à Segundona

Atlético-PR - O time da Baixada é um grande candidato ao rebaixamento. Tem um elenco fraco, um péssimo treinador, uma estrutura de clube centralizada e não tem "insight" do seu momento atual. Contratou alguns bons valores, mas não será suficiente para aumentar a força do time. Falta esquema de jogo ao Trétis. Além disso, o time peca exatamente onde era mais forte: vem perdendo sistematicamente partidas importantes em seus domínios. Isso pode ser decisivo em partidas contra clubes do apito amigo, como Coringão e Vasco.

Corinthians - Carpeggiani não poderia ser mais perfeito em sua colocação: "O Coringão briga para não cair". O Corinthians é uma casa-da-mãe-joana. Sede de inúmeros conflitos internos, com um elenco meia-boca (o principal astro é o pangaré Finazzi), o grande objetivo do Coringão vai ser escapar do rebaixamento. Carpeggiani sabe disso e vai armar o time para buscar isso. Vai ser uma temporada de sofrimento para a Fiel.

Vasco - O Gol 1000 sai, mas o Vasco é candidato à Segundona. O Euricão já estabeleceu que o objetivo do clube esse ano é o gol do Peixe. Depois disso, tudo fica ao deus-dará. Tem um elenco bem limitado, um técnico fraco (Celso Roth, vulgo O Burro) e uma estrutura de circo Vostok. Só o apito amigo salva o Vasco da Segundona.

Náutico - O vice-campeão pernambucano manteve a base do time que subiu para a Primeira Divisão. Com o velho Kuki vai aprontar algumas, mas o principal objetivo vai ser não voltar ao inferno da Segundona, onde esteve por 12 anos. Se conseguir esse objetivo sua torcida já estará agradecida. Deve tomar cuidado com o apito amigo do Coringão e do Vasco.

Goiás - O vice-campeão goiano vem cambaleante para a disputa do Brasileiro. Demitiu Geninho, conta com um time instável e que pipoca em momentos decisivos. Se não conseguir um bom início, vai brigar do meio para baixo da tabela. Deverá ser vítima contumaz do apito amigo.

América-RN - O time-bônus. Subiu mais por incompetência do Coritiba do que por méritos próprios. Tem um time de Segundona, tomou de 5 de um timeco de Terceira Divisão na final do Potiguar (ABC) e conta com craques geriátricos no elenco. Vai sofrer muito com o apito amigo. Se sobreviver na Primeira Divisão será um milagre.

Aí está a análise da turma toda. Vamos ficar de olho no que vai dar. Como a Europa faz a "limpa" de meio de ano no campeonato, pode ser que muita coisa mude durante o decorrer. Mas a sorte está lançada. Que venha o Brasileirão!

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Política é como nuvem...

Já dizia a finada raposa Tancredo Neves: "política é como nuvem". Mais do que ninguém, foi Tancredo que conseguiu personalizar bem a sua própria frase. Matreiro, foi getulista, fiel aliado de JK, primeiro-ministro de João Goulart, teve bom relacionamento com a Ditadura, criou um partido chuchu na Anistia (o PP, Partido Popular) que depois veio a se fundir com o PMDB, e, finalmente, se consagrou presidente na Câmara dos Deputados ao seu melhor estilo: na articulação de bastidores, esvaziando a candidatura de Paulo Maluf, preferido dos militares. Não teve tempo para exercer a Presidência, pois não conseguiu driblar as bactérias da UTI do Hospital de Base. Mas entrou para a história como o "maior Presidente que jamais governou".

Tancredo virou símbolo da Nova República, outra denominação de sua autoria. E, como todo símbolo e raposa política que se preze, Tancredo deixou crias. No caso seu neto, Aécio Neves da Cunha, secretário do avô desde a adolescência e que já conseguiu mandato eletivo em 1986, na esteira da farra-do-boi do Plano Cruzado. Aécio, aproveitando do tempo que conviveu com Tancredo e da sabedoria e esperteza política do avô, aprendeu direitinho a lição. Como o avô, aproveita a oportunidade política criada pela Constituição de 1988 e se filia ao PSDB, partido récem-formado pela ala de centro-esquerda do PMDB (o chamado PMDB histórico). Muito bem. Daí em diante Aécio, como boa raposinha mineira, vai crescendo pelas beiradas da Câmara Federal, ganhando garbo, experiência, matreirice e esperteza até se tornar Presidente da Câmara dos Deputados em 2002, em articulação magistral que findou com o rompimento do PFL (atual Democratas) com o governo FHC. Surfando na onda da mídia, Aécio mostra que é o herdeiro legítimo de seu avô: aproveita a oportunidade e costura, ao melhor estilo Tancredo, uma aliança com Deus, o Diabo e o responsável pelo Purgatório para eleger-se governador de Minas. Em Minas, consegue montar uma equipe competente (graças principalmente à influência do PSDB paulista, celeiro dos melhores técnicos da gestão pública brasileira) e firma um "choque de gestão", ao melhor estilo Mário Covas. O ajuste se mostra tão eficiente que novamente Aécio faz a aliança de Deus com todo mundo (dessa vez, incluindo até o presidente Molusco, que contou com o seu apoio indireto e fundamental para a reeleição em 2006) e se reelege com quase 80% (!!!) dos votos válidos. Muito bem, a candidatura à presidência é uma conseqüência, afinal, Minas Gerais é o estado que melhor representa o Brasil, pois tem um pouco do Brasil em cada rincão mineiro, como também já dizia Tancredo.

Aí vem, mais uma vez, a velha máxima dos Neves: POLÍTICA É COMO NUVEM. Aécio sabe que a nuvem de 2010 está favorável a ele. É jovem, conta com quase 80% dos votos do 2º maior colégio eleitoral brasileiro, tem acesso a todas as correntes políticas nacionais e tem a simpatia sentimental da população nacional em uma eleição, por ser neto de Tancredo Neves, o melhor presidente que nunca foi. A peça está montada. Porém, para atrapalhar o seu caminho, existe uma pedra chamada José Serra. Matreiro como o avô, Aécio sabe que o confronto direto com Serra irá causar a destruição da candidatura de ambos e a entrega do Planalto no colo de Ciro Gomes, o atual rei do Nordeste. Muito bem: a doutrina tancrediana de acordões começa a se delinear. Nesta terça, Aécio abre um canal de diálogo com Michel Temer, presidente do PMDB, para "facilitar" o caminho para a sua filiação. Mais uma vez o PMDB é o caminho para um Neves buscar a Presidência: é o partido hegemônico do governo, conta com uma "supreendente" unidade interna e precisa de uma figura carismática e messiânica para ser o sucessor do Molusco. Pois bem, junta-se a fome com a vontade de comer: Aécio não pode desperdiçar a oportunidade de ser Presidente, e o PMDB não pode desperdiçar a oportunidade de voltar à Presidência depois de 20 anos. Apostar em um psicótico neopopulista como Roberto Requião seria um insanidade por parte dos velhos caciques do PMDB. Pois bem, Aécio cai como uma luva nessa situação: mantém a unidade do partido, isola o neopopulista Requião, traz o discurso de renovação política e do "Centro Radical" (ao melhor estilo Tony Blair) e, o melhor de tudo, tem tudo para ser o candidato oficial do governo do Molusco, podendo se aproveitar dos benefícios eleitorais do Bolsa-Família e do PAC. Simples assim.

O resultado? O PT entrega, conforme combinado no acordo de governabilidade, o Planalto ao PMDB em 2010. O PSDB, com o conseqüente e inevitável racha interno e esvaziamento posterior à saída de Aécio do partido, caminhará para a insolvência e para a peemedebização. Ciro Gomes torna-se o "patinho feio", perdendo a preferência do Molusco. E, pra terminar, a turma do roubo (Renan, Sarney, Jáder) volta triunfalmente ao poder, desta vez sem precisar negociar, mas mandando. É esse o futuro que está se projetando, meus caros. Que o PSDB reveja o seu papel como partido urgentemente, se quiser continuar existindo. A derrota acachapante e definitiva se aproxima perigosamente se o Partido não mudar a sua visão paulicentrista e anti-democrática de bases. Pior, o partido não tem rumo: não sabe se é social-democrata ou neoliberal, se é de classe média ou de elite, se é o PMDB 2.0 ou o PT enrustido. Afinal, quem és você, PSDB?

Segue post do blog do Josias sobre o encontro Aécio-Temer. O Molusco deve estar rindo à toa...



Blog do Josias de Souza - Folha de S. Paulo

Tucano Aécio abre negociação com PMDB para 2010

Governador mineiro não excluiu hipótese de deixar PSDB

Aécio Neves, governador tucano de Minas Gerais, abriu negociações com a cúpula do PMDB com vistas à eleição presidencial de 2010. À procura de um candidato à sucessão de Lula, o PMDB ambiciona atrair para os seus quadros o governador de Minas Gerais, hoje filiado ao PSDB. Em jantar com Michel Temer, presidente do PMDB, Aécio não excluiu a hipótese.



Conforme noticiado aqui no blog no último sábado (5), o flerte dos peemedebistas com Aécio é vivamente estimulado por Lula. O presidente avalia que, ingressando no PMDB, Aécio poderia viabilizar-se com presidenciável da coalizão governista, com o apoio do Planalto.



Aécio e Temer conversaram na noite de terça-feira (8). Encontraram-se em torno de uma mesa da Tratoria do Rosario, um restaurante situado no elegante bairro brasiliense do Lago Sul. O repasto foi italiano. Mas a conversa seguiu o melhor estilo mineiro. Em dado momento, observado pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), também presente ao jantar, Temer jogou sobre a mesa o nome de Tancredo Neves, avô de Aécio. Lembrou que o PMDB viveu o ápice de sua história em 1985.



Naquele ano, nas pegadas do ocaso do regime militar, Tancredo, então no PMDB, foi guindado à presidência da República em eleição indireta precedida, no Colégio Eleitoral. Morreu, porém, antes de assumir. “Quem sabe nós podemos restabelecer agora aquele momento”, perscrutou Temer.



Dono de um estilo cultivado na escola do avô, um político esquivo, Aécio conduziu o diálogo de modo a manter aberta a porta para um eventual entendimento futuro com o PMDB. Disse que deseja aguardar os desdobramentos da cena política. Mencionou a conveniência de verificar como estarão distribuídas as forças depois da eleição municipal de 2008. Citou a necessidade de observar o desenvolvimento do segundo reinado de Lula.



Temer e Henrique Alves informaram a Aécio que, em reserva, Lula soa sempre muito generoso nas menções que faz ao governador. Um dado que Aécio não ignorava. O tucano informou que conversara a sós com Lula, por cerca de uma hora, na semana passada, em Uberaba (MG). Lula, como de hábito, foi pródigo nas homenagens a ele. De resto, discorreu sobre seus planos. Lula acha que, ao final do segundo mandato, terá lançado as bases para que o Brasil ingresse num ciclo longevo de desenvolvimento. Falou de 20 anos.



No jantar com os dirigentes do PMDB, falou-se também da situação interna do PSDB. Temer, Henrique Alves e Aécio puseram-se de acordo em relação a um ponto óbvio: dentro do tucanato, o principal entrave às pretensões presidenciais de Aécio é José Serra, governador de São Paulo. Aécio disse vive um bom momento no PSDB. Mas em nenhum momento pôs o pé na porta que se abriu para ele no PMDB.



A conversa da Tratoria do Rosario arrastou-se por cerca de quatro horas. Espremendo-se os diálogos, tem-se o seguinte sumo: os dirigentes do PMDB não deixaram dúvidas quanto ao desejo de fazer de Aécio um presidenciável do PMDB, apoiado por Lula e pela coalizão que se formou em torno do governo (13 partidos). Aécio imprimiu à negociação um ritmo de banho-maria. Combinou-se que as conversas serão amiudadas.



Em público, os comensais negaram o inegável. Sonegaram aos holofotes o essencial do jantar. Em privado, ao relatar o resultado da conversa a um companheiro de partido, Temer saiu-se com uma frase enigmática: “Política é algo que depende da circunstância e do momento”. Acha que, neste momento, a circunstância indica que foi aberta uma porta promissora.

Escrito por Josias de Souza às 01h20

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quarta-feira, maio 09, 2007

Meu nome é Enéas!

Essa semana tivemos a triste notícia da morte do Dr. Enéas Carneiro, o folclórico médico e político acreano que marcou época na política nacional. Com o seu estilo histriônico, excêntrico e ultranacionalista, Dr. Enéas se tornou uma legenda da Nova República, com o seu minúsculo partido, o Prona (Partido da Reconstrução da Ordem Nacional).

Com pouco mais de 20 segundos para falar no horário eleitoral, Enéas desencadeva uma taquilalia movida a expressões de difícil entendimento para a população comum. O resultado? Tornou-se um político no qual as pessoas votavam na base do escracho. Tanto escracharam que ele foi o 3º mais votado na eleição presidencial de 1994, quando ficou a frente de caciques como Orestes Quércia e Esperidião Amin, e foi recordista absoluto de votos para a Câmara Federal em 2002, com mais de 1 milhão de votos.

Como médico, um profissional admirável: um brilhante cardiologista, um dos maiores especialistas, senão o maior, no estudo de eletrocardiogramas. Seu livro, "O Eletrocardiograma", é um clássico do assunto. Foi um professor universitário respeitadíssimo, atuando ainda nas áreas da Física e Matemática. Um gênio incompreendido. Mas uma figura nacionalista e, acima de tudo, folclórica. Enéas permanecerá eternamente na idéia coletiva da política nacional.

Para homenageâ-lo, iremos postar um vídeo no qual o Dr. Enéas conta, ao seu melhor estilo, a história da Medicina em 1 minuto. Vale a pena conferir.

Descanse em paz, Dr. Enéas!

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Habemus Papam!



O Papa está entre nós!

Joseph Ratzinger, vulgo Bento XVI, está no Brasil. Vem para uma visita de 5 dias ao Estado de São Paulo, para uma série de importantes eventos da Igreja Católica no Brasil: canonização de Frei Galvão, conferência dos jovens, do episcopado em Aparecida, dentre outros eventos.

A importância da visita deve-se ao fato do Brasil ser a maior nação católica do mundo, com 65% de sua população declarando-se católica, mesmo com o crescimento alarmante das seitas evangélicas. Não bastasse, o Brasil ocupa lugar estratégico na geopolítica regional e mundial, fato que faz a visita do Sumo Pontífice ser de extrema importância para a política católica nos próximos anos.

As questões políticas a serem debatidas são a questão da renovação e fidelização dos fiéis, a questão do aborto, do casamento homossexual, da camisinha, do celibato e do divórcio. Bento XVI, com o seu radicalismo teórico, é frontalmente contrário a liberação dessas questões, e deve ser incisivo na discussão desses temas durante a visita.

Bom, a foto do Papa que postamos é uma semelhança no mínimo cômica: Bento XVI é "idêntico" ao Imperador Palpatine, o grande vilão da saga Star Wars. Alguns blogueiros já perceberam a semelhança e já fizeram as suas "brincadeiras". Conferindo as fotos, realmente há uma semelhança física. No mínimo é engraçado...

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terça-feira, maio 08, 2007

A Luta pela Esperança - Luta Real entre James J. Braddock e Max Baer

Caros amigos,

Na semana passada, tive o prazer de assistir o excelente filme "A Luta pela Esperança", estrelado por Russell Crowe (no papel de James J. Braddock) e Renée Zellweger. Um grande filme sobre a história do boxeador e ex-campeão mundial dos pesos pesados James J. Braddock, um filho de imigrantes irlandeses de Nova York (radicado em Nova Jérsei), que chegou a ser um dos desafiantes ao título mundial dos meio-pesados no período pré-1929, vindo a sofrer depois com os efeitos devastadores da Crise de 1929. Para se ter uma idéia da queda de Braddock, ele foi obrigado a lutar contundido (com as mãos e costelas quebradas), a trabalhar nas docas de Nova Jérsei e, no fundo do poço, a receber uma espécie de "Bolsa-Família" da época, para não deixar a sua família passar frio e fome no intenso inverno nova-iorquino. Um ano após chegar no fundo do poço, Braddock recebe uma chance de recomeçar: ganha uma luta contra um "futuro" desafiante do título dos pesados. A idéia era ele ser um "sparring", mas, no final das contas, se torna a grande virada de sua vida.

Pesquisando pela web, tive o prazer de encontrar a luta completa do título de Braddock: a antológica luta contra Max Baer, o campeão que havia destruído a lenda italiana Primo Carnera. São 6 vídeos, com os 15 rounds completos da luta. Uma grande luta, com muito equilíbrio e muita técnica dos dois lutadores. Vale o destaque da torcida por Braddock. Achei que no filme era "exagerada" a torcida de Braddock mas, ao ver a luta real, ficou comprovado que o sujeito era uma lenda viva. Podia não ser o melhor lutador, mas, sem dúvida, foi um exemplo de como chegar ao fundo do poço, recomeçar e chegar ao ápice. Um exemplo de vida. Vale a pena a paciência para assistir a luta toda.

Aí vão os vídeos da luta. Divirtam-se!

Parte I:


Parte II:


Parte III:


Parte IV:


Parte V:


Parte VI:

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