Blog do René Santos Neto

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Local: Curitiba, Brazil

Médico, de centro-esquerda, coxa-branca, palestrino e ferrarista.

domingo, setembro 30, 2007

Finalmente, Formula-1 de verdade!!

Como diria Luciano do Valle, não há palavras para descrever o Grande Prêmio do Japão de 2007. Após 30 anos de ausência, Fuji voltou em grande estilo: com uma corrida chuvosa, condição tradicional nos GPs disputados ao pé do extinto vulcão (perguntem ao Niki Lauda...), o GP japonês entrou para a categoria dos GPs antológicos da história moderna da F1.

Primeiro, pela demonstração de habilidade do virtual campeão Lewis Hamilton, que, apesar de todas as confusões, guiou como gênios da chuva como Senna e Schumacher para conquistar uma vitória fundamental para o seu 1º título (será que ele bate os 7 do Schummy?). Já Alonso mostrou mais uma vez que é o Prost do terceiro milênio: mau-caráter, picareta, chorão, vendido, negociador, cachorro e roda em plena reta pra depois acertar uma bordoada no muro, ao melhor estilo de seu mestre Sith francês em Portugal-1985. O sonho do tri acabou para o discípulo de francês narigudo.

Ainda houve mais: Vettel, o novo Schummy, arrasou com a cadeira elétrica da Toro Rosso (substituta da finada Minardi) e chegou a liderar o GP. Pena que acabou abalroando o canguru Webber na volta de Safety Car. Mas, como o guri só tem 19 anos, a gente perdoa... Mas os alemães podem ficar sossegados que o substituto para o Schummy já veio antes do que se esperava. O tal do Vettel consegue ser ainda melhor que o Schumacão no molhado. Não dou dois anos pra esse rapaz estar ganhando corridas e disputando títulos. Só falta amadurecer.

Corridas brilhantes dos finlandeses Kovalainen e Raikkonen. O primeiro, graças a uma excelente estratégia da Renault, conseguiu sustentar um brilhante segundo lugar. Já Raikkonen passou por cima das cagadas da "famiglia Ferrari" (conseguiram largar com pneu de seco no molhado... Tou achando que os mecânicos exageraram na dose de Corvo Duca di Salaparuta antes da corrida...), fez uma prova de recuperação e conseguiu um fantástico terceiro lugar, que o mantém respirando por aparelhos no campeonato de pilotos.

Mas o grande destaque vai para Felipe Massa e Robert Kubica. Há tempos corre a lenda urbana (com vídeos mostrando tal feito) de uma disputa antológica entre o meu xará, René Arnoux, a bordo de uma Renault, e o meu ídolo ferrarista Gilles Villeneuve, em Dijon-Prenois-1979. Os dois malucos ficaram quatro voltas freando dentro da curva, jogando carro um em cima do outro, ultrapassando por cima da zebra, tocando roda e tudo o que se possa imaginar. Pois, para minha felicidade (pois ainda não era nascido naquela época para testemunhar tal duelo), pude ver uma disputa a la Villeneuve-Arnoux e, pior, no molhado! Massa e Kubica começaram a disputar insanamente na última volta a sexta posição. Como René e Gilles, Felipe e Robert fizeram de tudo: tocaram roda, jogaram um e o outro para fora da pista, ultrapassaram por cima da zebra, enfim, fizeram o inferno. E, para fechar, Massa faz a ultrapassagem a la Playstation 2: usando a área de escape para acelerar e passar por cima da zebra. Antológica, fenomenal, fantástica, histórica: só vendo para crer.

Irei disponibilizar os dois vídeos: o de Dijon-Prenois-1979 e o de Fuji-2007. Afinal, a verdadeira Fórmula-1 deve e precisa ser mostrada a todos, para que permaneça viva sempre em nossas memórias. Parabéns ao Massa e ao Kubica, por não deixarem morrer o verdadeiro espírito do esporte de velocidade.


Fuji-2007


Dijon-Prenois-1979

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domingo, junho 10, 2007

O Pelé da Fórmula-1 e a quase tragédia de Montreal-2007



Em uma corrida cheia de acidentes e confusões (com direito a um acidente quase trágico, coisa não-vista na Fórmula-1 desde Ímola-1994), Hamilton confirma o favoritismo e vence o GP do Canadá. Ao conquistar o 6º pódio em 6 corridas e a 1ª vitória, Hamilton se coloca de maneira irrepreensível como o melhor estreante da história e caminha a passos largos para se tornar de maneira definitiva candidato a melhor piloto da História.

Tal qual Pelé no futebol, Jordan no basquete e Tiger Woods no golfe, Hamilton impressiona pela juventude e pela maturidade a qual já demonstra em apenas 6 corridas. Em comum com os outros 3 gênios, o fato de ser negro e de impor o seu talento a cada corrida que passa.

O tal "bicampeão" já sentiu a pressão e não conseguiu sequer chegar com os freios inteiros. 7º lugar foi lucro perto de tanta barbeiragem. É fácil dirigir uma Renault cheia de trambiques (a la Schumacher 94-95) e com titio Briatore dando apoio. Quando chega em uma McLaren e com um companheiro que caminha a passos largos para ser o Pelé da Fórmula-1, o bicho pega e pega mesmo.

Quanto a Massa, o brasileiro literalmente "furou o sinal" na saída do box e, como multa, foi desclassificado. Uma pena, se considerando o final de semana desastroso e a possibilidade de terminar no pódio e descontar pontos do "Alain Prost piorado". Mas a furada de sinal é a mostra de que a Ferrari está literalmente perdida. O erro de mandar Massa ir para pista antes do tempo é da equipe. Além disso, a cada prova fica mais claro o erro de ter contratado Raikkonen. Com suas atuações pífias, Kimi Cachaça vem se revelando um terceiro piloto da McLaren. Aí fica difícil para a Ferrari tentar qualquer tipo de reação dentro do campeonato.

Mas o "destaque" (se é que se pode chamar isso de destaque...) foi o acidente que envolveu o jovem polonês Robert Kubica, da BMW. Em uma tentativa de ultrapassagem em Jarno Trulli na curva do grampo, o polonês acabou escapando da pista e sendo "catapultado" para cima do muro, em um acidente de dinâmica muito semelhante à primeira batida no muro que vitimou Gilles Villeneuve em Zolder-1982. O carro retornou à pista, quase acertando o Toro Rosso que passava na curva e virando de lado. A cena do polonês desacordado na pista fez trazer as lembranças nefastas de Ímola-1994 (principalmente da primeira vítima, o austríaco Ratzemberger). Por um milagre da natureza e por extrema competência de contrução da "célula de sobrevivência" do carro (tem que se dar o destaque a isso depois de tal acidente), Kubica passa ileso e sem uma lesão sequer. É a mostra cabal de que a Fórmula-1 realmente aprendeu a lição depois da tragédia de Ímola.

Iremos disponibilizar o vídeo e algumas fotos da "quase" tragédia em Montreal. As imagens são impressionantes.









GP do Canadá : a batida de Robert Kubica

Classificação do GP do Canadá


1. Lewis Hamilton - McLaren
2. Nick Heidfeld - BMW - a 4s3
3. Alexander Wurz - Williams - a 5s3
4. Heikki Kovalainen - Renault - a 6s7
5. Kimi Raikkonen - Ferrari - a 13s0
6. Takuma Sato - Super Aguri - a 16s6
7. Fernando Alonso - McLaren - a 21s9
8. Ralf Schumacher - Toyota - a 22s8
9. Mark Webber - Red Bull - a 22s9
10. Nico Rosberg - Williams - a 23s9
11. Anthony Davidson - Super Aguri - a 24s3
12. Rubens Barrichello - Honda - a 30s4
13. Jarno Trulli - Toyota a 12 voltas
14. Vitantonio Liuzzi - Toro Rosso - a 16 voltas
15. Felipe Massa - Ferrari - a 19 voltas
16. Giancarlo Fisichella - Renault - a 19 voltas
17. Christijan Albers - Spyker - a 23 voltas
18. David Coulthard - Red Bull - a 34 voltas
19. Robert Kubica - BMW - a 44 voltas
20. Adrian Sutil - Spyker - a 49 voltas
21. Scott Speed - Toro Rosso - a 62 voltas
22. Jenson Button - Honda - a 70 voltas

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