Blog do René Santos Neto

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Local: Curitiba, Brazil

Médico, de centro-esquerda, coxa-branca, palestrino e ferrarista.

domingo, setembro 09, 2007

Arrivederte Ferrari!



Humilhada em casa, Ferrari praticamente entrega o campeonato para a McLaren

Parecia crônica de uma tragédia anunciada. Os testes de semana passada já davam indícios de que o carro da escuderia do Dick Vigarista (mais conhecida como McLaren) estava "sobrando" em relação à Ferrari. O 4-0 nos 4 dias de teste em Monza demonstraram que a solução aerodinâmica da McLaren, a tal asa traseira a la IRL (semelhante as usadas nos ovais americanos), foi acachapante para a diferença técnica que se estabeleceu. Os treinos apenas foram uma confirmação dessa diferença técnica, com a McLaren mantendo o 1-2 por todo o final de semana. Massa até que se esforçou, mas só conseguiu ficar a meio segundo das McLarens no treino. Um abismo em termos de F1.

No GP de hoje, o gran finale: Hamilton, claramente jogando com o regulamento debaixo do braço, joga o carro em Massa (a la Schumacher contra Senna em Donington-1993) e quase deixa o brasileiro na grama. O brazuca ainda consegue manter a posição, mas acaba sendo superado por uma manobra irregular do inglês (atravessou a chicane, mesmo que tenha sofrido um toque de Massa. Se fosse no joguinho do Playstation, teria sido punido. Mas, como é na Fórmula-1 de verdade, onde o dinheiro manda e a esportividade vai lá embaixo, vamos dar loas ao trapaceiro, uai...). Não bastasse, Massa é forçado a abandonar decorrente, aparentemente, de um problema de suspensão na parte traseira do carro, na 9ª volta. Entra em cena então a versão 2007 de Ivan Capelli, Kimi Raikkonen. Com uma boa estratégia (parada única), parecia ser possível a Kimi pelo menos postular uma 2ª colocação, o que lhe deixaria em condições razoáveis para disputar o título nas corridas finais. Mas Kimi, como se comenta nos bastidores, é um piloto descerebrado e sem qualquer brilho. A única coisa que sabe fazer é o que qualquer zé-mané faria se fosse piloto de F1: sentar no carro e acelerar. E aí meu caro, numa disputa com um cara com um pouquinho mais de brilho (no caso, Hamilton), o outro sobra. E foi o que aconteceu: Kimi levou uma ultrapassagem humihante de Hamilton e abriu caminho para a dobradinha da McLaren.

Resultado? Alonso vencedor, Hamilton segundo. O campeonato de pilotos ficou entre os dois, literalmente. O de construtores já está resolvido, praticamente. A única esperança da Ferrari reside na reunião de quarta do Conselho Mundial da FIA, que irá analisar as denúncias de espionagem e sabotagem da McLaren. Ao meu ver, essa história é igual ao Mensalão do PT: tá na cara que aconteceu, todo mundo sabia do esquema e se beneficiou. Afinal, como explicar que uma equipe cujo carro quebrava a cada duas corridas ano passado começou a ter um desempenho "felomenal" nessa temporada? Só a grana da Vodafone e do Santander não iria operar tal milagre. Era preciso mais. E, para vencer no mundo de hoje, está se passando a impressão de que não importam os meios. E foi isso que ocorreu nesse caso. A Ferrari e a Renault, que pedem a cabeça da McLaren, não são santas. Mas, se não houver punição, está aberto o caminho para que a sabotagem e o tráfico de informações se faça de forma corriqueira na F1. E aí, ao invés de vermos uma disputa entre pilotos, veremos um mero desfile de carros bonitos. Aí melhor pagar um ingresso para o Salão do Automóvel que a gente ganha mais...

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domingo, julho 22, 2007

Em corrida caótica, Alonso vence e reclama

Em uma corrida chuvosa, cheia de confusões e alternativas e com um final eletrizante, Fernando Alonso consegue tirar a vitória de Felipe Massa nos estertores da corrida alemã.

A largada foi totalmente confusa, devido à tromba d´água que caiu logo após a partida. Nada menos que 5 carros abandonaram o Grande Prêmio, além da confusão instalada e um quase choque entre Scott Speed e um trator de remoção de carros. Houve a necessidade de se parar a corrida e se reiniciar o GP. Após o reinício, Massa assume a liderança, após ter sido bem-sucedido na entrada dos boxes na confusão do dilúvio. Para ajudar, Hamilton cometia lá atrás todos os erros que ainda não havia cometido durante a temporada (afinal de contas, o cara é o Pelé da F1 mas ainda assim é um ser humano) e Raikkonen, o piloto de US$ 40 milhões/ano, sofreu com problemas hidráulicos em seu carro. Parecia que seria um passeio de Massa na pista seca até a vitória.

Parecia. Porque a chuva resolveu reaparecer nos minutos finais da corrida para dar contornos dramáticos à corrida e protagonizar uma disputa que entra para a História da F1 como uma das grandes disputas antológicas, comparável à bela disputa de Dijon-Prenois-1979 entre Arnoux e Villeneuve e a inesquecível disputa entre Senna e Mansell em Monaco-1992. Alonso, com um carro melhor equilibrado para condições de pista molhada, atacou de forma incisiva o piloto brasileiro por duas voltas. Apesar do talento do brasileiro em tentar segurá-lo, não houve meios para deter o avanço do espanhol. Massa até tentou um último esforço, que resultou em um pequeno toque no carro do asturiano.



Vencida a corrida, Alonso mostrou-se um mau vencedor. Ao invés de fazer como Arnoux e Villeneuve, que se abraçaram e choraram após a linda disputa em 1979, o arrogante espanhol resolveu dar uma de piá pançudo e reclamar do toque de Massa na sala pré-pódio. Uma atitude feia e anti-desportiva do espanhol, que considera que, para se vencer, tem que desfilar na pista. Errado. A beleza do esporte automotor está exatamente no toque, na disputa roda-a-roda. De campeões frouxos e sem brilho estamos fartos. Parabéns a Massa, mesmo tendo sido ultrapassado e chegando no segundo posto, pela postura, pela firmeza e, principalmente, por fazer permanecer viva a chama do verdadeiro automobilismo.




Resultado do GP da Europa:

1º Fernando Alonso (McLaren)
2º Felipe Massa (Ferrari)
3º Mark Webber (Red Bull)
4º Alex Wurz (Williams)
5º David Coulthard (Red Bull)
6º Nick Heidfeld (BMW-Sauber)
7º Robert Kubica (BMW-Sauber)
8º Heikki Kovalainen (Renault)
9º Lewis Hamilton (McLaren)
10º Giancarlo Fisichella (Renault)
11º Rubens Barrichello (Honda)
12º Anthony Davidson (Super Aguri)
13º Jarno Trulli (Toyota)

Não completaram:

Kimi Raikkonen (Ferrari)
Takuma Sato (Super Aguri)
Ralf Schumacher (Toyota)
Markus Winkelhock (Spyker)
Jenson Button (Honda)
Adrian Sutil (Spyker)
Nico Rosberg (Williams)
Scott Speed (Toro Rosso)
Vitantonio Liuzzi (Toro Rosso)

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domingo, maio 13, 2007

Felipe Massa do Brasil, mais uma vez!



E deu Massa de novo! Na Espanha, terra de Fernando Alonso, Massa não se intimidou e mostrou para Alonso o caminho da roça já na primeira curva, na frente de 140 mil torcedores, que tiveram que sair em procissão de cabeça baixa (até lembra a torcida do Coringão em 1974 no zum-zum-zum Timão é vinte-e-um) momentos antes da vitória do brasileiro. Massa venceu na casa do inimigo sem ser importunado nas 65 voltas seguintes. O único susto que teve foi a labareda de fogo que se despreendeu durante o seu primeiro reabastecimento. No mais, uma corrida tranquila. Lewis Hamilton, para consolidar a sua posição de melhor estreante da História, consegue o seu 4º pódio seguido e conquista o 2º lugar e a liderança do campeonato com 30 pontos. Já Kimi Cachaça foi outro que tomou o caminho da roça e outras cositas más: sofreu com um "problema hidráulico" (para mim foi problema etílico) em sua Ferrari. Bom para Massa, que já abre 5 pontos na disputa para ser 1º piloto da Ferrari. Alonso, depois da humilhante fechada que levou, ainda carregou sua McLaren ao último lugar do pódio. Vexame para o bicampeão, que pela primeira vez sente o gosto amargo da derrota em seus domínios.

No restante da corrida, algumas surpresas: o bom desempenho de Coulthard com a Red Bull e de Rosberg com a Williams, a recuperação de Kovalainen com a Renault e a surpreendente Super Aguri de Takuma Sato, que obteve o seu primeiro ponto na História, ultrapassando o "tartaruga, né" Rubens Pé-de-Chinelo, 10º colocado.

Outro destaque do fim de semana foi a brilhante vitória de Bruno Senna na GP2. Senna, que tem a carreira gerida por Gerhard Berger (melhor amigo de Ayrton), já é líder da competição e vai caminhando a passos largos para a sua estréia na F1 em 2008, provavelmente na Toro Rosso. Algumas semelhanças com a estréia do tio em 1984 se tudo der certo para Bruno: entra na F1 com os mesmos 24 anos do tio e em uma equipe que começa com T (Toleman - Toro Rosso). E, com o péssimo desempenho de Fisichella hoje, poderemos ter a oportunidade ver Massa, Senna e Piquet correndo juntos em 2008. Vai sobrar gênio na pista!

E, para brindar a fantástica atuação de Massa na Espanha, nada melhor do que disponibilizar os dois melhores momentos da corrida: a passeada na areia do Alonso e a bandeirada da vitória (com direito a Tema da Vitória) para Felipe Massa. É de arrepiar!

Saudações Ferraristas!



Alonso e o caminho da roça


Massa faturando mais uma

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