Blog do René Santos Neto

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Local: Curitiba, Brazil

Médico, de centro-esquerda, coxa-branca, palestrino e ferrarista.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Olha a pizza!!!

Em menos de 24 horas, duas senhoras mussarelas foram servidas: a absolvição de Renan Calheiros no plenário do Senado e a "multa" e perda de pontos da McLaren no Tribunal da FIA. É a prova cabal que a sociedade se tornou, de fato, escrava do dinheiro.

Na Roma Antiga, dizia-se que o escravo era aquele que já nascia com essa condição ou que era capturado em batalha e forçado a trabalhar pelo vencedor em troca de moradia e comida. No mundo de hoje, o sal e a moradia foram substituídos pelas notas verdes de dólares. Mas, como na Roma Antiga, essas notas ainda denotam a escravidão humana. As decisões tomadas tanto no plenário do Senado como no Tribunal da FIA só atendem a um único objetivo: evitar perdas financeiras devastadoras.

Por trás das mussarelas, estão cifrões que mexem com toda a estrutura de sociedade que conhecemos. No caso de Renan Calheiros, sua absolvição representa algumas coisas: dá celeridade ao governo para que não atravanque a sua pauta de votações (leia-se CPMF e outros temas de interesse governamental);, deslegitima o Congresso como poder, pois, a partir da desmoralização pública, a "Casa dos Ratos" está desautorizada ética e politicamente de propor reformas profundas na estrutura econômica, social e política da nação, passando essa bola ao Molusco-Líder, que conseguiu sair como "estadista" da situação (por incrível que pareça!!!), e terá "autoridade moral" (!!!) para impor as "reformas" que considerar necessárias para fortalecer o seu poder; afinal, agora o Congresso está posto de joelhos; e, para encerrar, o medo dos 40 ladrões que votaram a favor de Renan de terem a sua merda jogada no ventilador. Afinal, quem deve teme: e, sendo assim, Renan Babá e os 40 ladrões serão fiéis signatários das palhaçadas petralhas daqui por diante. A oposição, fraca, desorganizada e sem discurso, está desmoralizada e na sarjeta. O PSDB e o DEM são, literalmente, piadas no Congresso. Fazem 5 anos que são oposição e até agora não fazem nem cócegas ao governo petralha. Na época de FHC, Luiz Estevão foi cassado por muito menos e os poderosos ACM e Jáder, bem como o atual governador do DF Arruda, tiveram que renunciar aos seus mandatos frente às pressões públicas e, principalmente, à oposição raivosa, irascível, mas principalmente eficiente praticada pelos petralhas. Como o São Paulo no Brasileirão, o governo PT segue sem adversários à altura para enfrentá-lo. E, sendo assim, para o terceiro mandato e o chavismo brasileiro faltam apenas "detalhes", ou "jeitinho brasileiro", como queiram.

No caso da Fórmula-1, outra decisão movida pelo capital: a exclusão da McLaren, a segunda equipe mais tradicional da categoria, seria um tiro de morte. Representaria fuga de investimentos e a conseqüente quebra financeira. Ao mesmo tempo, entregar o campeonato de bandeja à Ferrari não seria a decisão mais sábia do ponto de vista econômico. Mesmo se a Mercedes tomasse o lugar da McLaren em caso de exclusão, a perda da marca da equipe inglesa representaria o fim da Formula-1 romântica, das velhas marcas e garagistas, além do que poderia deixar a categoria definitivamente na mão das montadoras, que jogariam com ela até o momento que fosse lucrativo. Por tudo isso, a retirada dos pontos de construtores e a multa de US$ 100 milhões são troco perto do risco financeiro que a categoria corrida. Como em Brasília, os interesses corporativos e financeiros falaram mais alto que a moralidade, a ética e a esportividade do processo. Bom para Ron Dennis e Lewis Hamilton, que vencem a queda de braço contra Fernando Alonso, Flávio Briatore e a Ferrari (que entrou de trouxa na história). Ruim para o esporte, que fica de lado quando os interesses financeiros do espetáculo falam mais alto.

O capitalismo selvagem vem derrocando a nossa sociedade ocidental, tal como o Império Romano. Como em tais tempos, o Congresso se tornou corrupto e vendido, os discursos autênticos eram desencorajados e penalizados, o puxa-saquismo é estimulado e regrado e, principalmente, a figura do ditador se faz presente. Aquele que, supostamente, dá "ordem" ao processo. Li uma frase, certo dia, que dizia isso: "Uma República forte torna-se uma Democracia: uma Democracia enfraquecida e demagógica dá margem ao Populismo e, por fim, à Ditadura". Acompanhando a análise dessa frase, vinha uma reflexão sobre os valores da sociedade: comenta-se que o enfraquecimento do processo democrático também enfraquecia a estrutura social, com a destruição familiar, a permissividade e libertinagem dos costumes e o enfraquecimento espiritual da população. Engraçado é que isso descrevia a Roma na época da decadência do Império, mas é de extrema atualidade para o Brasil e para o mundo em que vivemos. Todas as civilizações que fracassaram passaram, sem exceções, por um processo desse tipo. Infelizmente, acredito que nós também estamos presenciando esse triste momento histórico. E, por mais que sejamos como Diodoro Cirino (pai de São Lucas), que discursava pela moralidade e pela volta da ética e do orgulho nacional romano, alea jacta est, a sorte está lançada. A sociedade fez a sua escolha. Cabe a nós lutarmos contra isso ou aceitarmos passivamente a sua degradação.

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domingo, setembro 09, 2007

Arrivederte Ferrari!



Humilhada em casa, Ferrari praticamente entrega o campeonato para a McLaren

Parecia crônica de uma tragédia anunciada. Os testes de semana passada já davam indícios de que o carro da escuderia do Dick Vigarista (mais conhecida como McLaren) estava "sobrando" em relação à Ferrari. O 4-0 nos 4 dias de teste em Monza demonstraram que a solução aerodinâmica da McLaren, a tal asa traseira a la IRL (semelhante as usadas nos ovais americanos), foi acachapante para a diferença técnica que se estabeleceu. Os treinos apenas foram uma confirmação dessa diferença técnica, com a McLaren mantendo o 1-2 por todo o final de semana. Massa até que se esforçou, mas só conseguiu ficar a meio segundo das McLarens no treino. Um abismo em termos de F1.

No GP de hoje, o gran finale: Hamilton, claramente jogando com o regulamento debaixo do braço, joga o carro em Massa (a la Schumacher contra Senna em Donington-1993) e quase deixa o brasileiro na grama. O brazuca ainda consegue manter a posição, mas acaba sendo superado por uma manobra irregular do inglês (atravessou a chicane, mesmo que tenha sofrido um toque de Massa. Se fosse no joguinho do Playstation, teria sido punido. Mas, como é na Fórmula-1 de verdade, onde o dinheiro manda e a esportividade vai lá embaixo, vamos dar loas ao trapaceiro, uai...). Não bastasse, Massa é forçado a abandonar decorrente, aparentemente, de um problema de suspensão na parte traseira do carro, na 9ª volta. Entra em cena então a versão 2007 de Ivan Capelli, Kimi Raikkonen. Com uma boa estratégia (parada única), parecia ser possível a Kimi pelo menos postular uma 2ª colocação, o que lhe deixaria em condições razoáveis para disputar o título nas corridas finais. Mas Kimi, como se comenta nos bastidores, é um piloto descerebrado e sem qualquer brilho. A única coisa que sabe fazer é o que qualquer zé-mané faria se fosse piloto de F1: sentar no carro e acelerar. E aí meu caro, numa disputa com um cara com um pouquinho mais de brilho (no caso, Hamilton), o outro sobra. E foi o que aconteceu: Kimi levou uma ultrapassagem humihante de Hamilton e abriu caminho para a dobradinha da McLaren.

Resultado? Alonso vencedor, Hamilton segundo. O campeonato de pilotos ficou entre os dois, literalmente. O de construtores já está resolvido, praticamente. A única esperança da Ferrari reside na reunião de quarta do Conselho Mundial da FIA, que irá analisar as denúncias de espionagem e sabotagem da McLaren. Ao meu ver, essa história é igual ao Mensalão do PT: tá na cara que aconteceu, todo mundo sabia do esquema e se beneficiou. Afinal, como explicar que uma equipe cujo carro quebrava a cada duas corridas ano passado começou a ter um desempenho "felomenal" nessa temporada? Só a grana da Vodafone e do Santander não iria operar tal milagre. Era preciso mais. E, para vencer no mundo de hoje, está se passando a impressão de que não importam os meios. E foi isso que ocorreu nesse caso. A Ferrari e a Renault, que pedem a cabeça da McLaren, não são santas. Mas, se não houver punição, está aberto o caminho para que a sabotagem e o tráfico de informações se faça de forma corriqueira na F1. E aí, ao invés de vermos uma disputa entre pilotos, veremos um mero desfile de carros bonitos. Aí melhor pagar um ingresso para o Salão do Automóvel que a gente ganha mais...

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